Política

Master invade debate presidencial e relembra ferida de Maceió: R$ 97 milhões do Iprev seguem sem resposta

Lula cobra de Flávio explicações sobre Vorcaro e propõe abertura dos sigilos

Redação 19/10/2026
Master invade debate presidencial e relembra ferida de Maceió: R$ 97 milhões do Iprev seguem sem resposta
Lula e Flávio Bolsonaro durante debate presidencial na Band; ao lado, a sede do Instituto de Previdência de Maceió (IPREV). Fotos: Renato Pizzutto/Band e Ascom/IPREV.

O escândalo do Banco Master ocupou o centro do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band na noite deste domingo (18). No confronto com Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou explicações sobre a relação do adversário com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e propôs que os dois candidatos abrissem os sigilos bancário e telefônico - inclusive os de seus familiares.

“Eu abro da minha família inteira e você abre da sua”, afirmou Lula, ao sugerir que os documentos fossem entregues aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes da votação do próximo domingo (25).

Flávio declarou que não tinha “absolutamente nada a esconder”, mas silenciou se aceitava abrir os sigilos nos termos propostos pelo presidente. Em seguida, retomou acusações contra Lula e pessoas próximas ao petista. As alegações apresentadas pelos dois candidatos durante o debate não constituem, isoladamente, prova de participação em irregularidades.

Vorcaro e os R$ 134 milhões

Ao abordar o Banco Master, Lula questionou Flávio sobre sua relação com Vorcaro e sobre a controvérsia envolvendo R$ 134 milhões que teriam sido solicitados para financiar uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

O petista também acusou o adversário de apresentar versões contraditórias sobre o caso. Flávio rebateu, tentando associar integrantes do entorno do governo e familiares de Lula às investigações envolvendo o banco e às fraudes no INSS.

O embate consolidou o Master como um dos assuntos mais sensíveis da campanha presidencial. Em Alagoas, entretanto, a discussão possui um desdobramento ainda mais próximo da população: os R$ 97 milhões da previdência dos servidores de Maceió aplicados em letras financeiras emitidas pelo banco.

A ferida aberta no Iprev de Maceió

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam as duas operações realizadas pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió durante a gestão deo governador eleito JHC na Prefeitura de Maceió.

O primeiro aporte, de R$ 80 milhões, ocorreu em dezembro de 2023. Outros R$ 17 milhões foram aplicados em maio de 2024. As letras financeiras não possuem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.

As investigações procuram esclarecer o processo de credenciamento, a análise dos riscos, a governança e a tomada de decisão que antecederam os investimentos. A apuração alcança ex-dirigentes do Iprev, servidores municipais e responsáveis pela consultoria que participou da documentação das operações.

O caso interessa diretamente a 6.901 beneficiários do instituto, entre aposentados e pensionistas, cujos recursos previdenciários foram expostos a um ativo de elevado risco e reduzida liquidez.

Apesar de o Banco Master ter dominado parte relevante do debate presidencial, os R$ 97 milhões pertencentes aos servidores de Maceió não foram mencionados pelos candidatos.

Escândalo nacional, consequências locais

A entrada do Banco Master na campanha nacional amplia a pressão por esclarecimentos sobre o destino dos recursos aplicados pelo Iprev. É necessário determinar quem autorizou as operações, quais avaliações de risco foram produzidas, por que o banco foi escolhido e quais medidas estão sendo adotadas para recuperar o dinheiro.

O debate terminou sem uma adesão explícita de Flávio ao desafio para a abertura dos sigilos e sem respostas sobre a situação dos servidores de Maceió.

Em Alagoas, a pergunta permanece: se o Master se tornou assunto decisivo na eleição presidencial, quando os responsáveis explicarão o que ocorreu com os R$ 97 milhões dos aposentados e pensionistas da capital?