Política
Detido na sexta, nas ruas no domingo: porteiro relata abordagem policial em ato pró-Lula; veja vídeo
Edmilson discursou durante a caminhada “Bora Lula”, neste domingo, na orla de Maceió, e defendeu o caráter democrático da manifestação contra Flávio Bolsonaro
O porteiro Edmilson Santos, detido após participar de um panelaço durante a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo, discursou neste domingo (18) na caminhada “Bora Lula”, na orla de Maceió. Diante dos participantes, o trabalhador apresentou sua versão da abordagem policial e defendeu o direito de participar da manifestação política.
O ato reuniu milhares de apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com concentração no Corredor Vera Arruda, na Jatiúca. Uma estimativa não oficial repassada à reportagem aponta mais de 30 mil participantes, número que não foi confirmado de forma independente.
A detenção ocorreu na noite de sexta-feira, 16 de outubro, no bairro da Ponta Verde, enquanto Edmilson trabalhava em um condomínio e se juntou ao protesto realizado durante a sabatina do candidato à Presidência.
Veja o discurso de Edmilson ao final da matéria.
Ao recordar o episódio, o porteiro afirmou que um homem discutiu com outro morador do prédio antes de chamar a polícia. Segundo seu relato, ele e os demais participantes não reagiram à provocação.
“Mas a gente não reagiu, não disse nada com ele”, declarou.
Edmilson contou que os policiais chegaram ao seu local de trabalho e pediram para entrar no condomínio. Ele afirmou que recusou abrir a porta e questionou o motivo da presença dos agentes. Na sequência, segundo o trabalhador, um policial pediu que ele saísse do prédio.
O porteiro disse que tentou explicar o que estava acontecendo e ressaltou que o panelaço fazia parte de uma mobilização democrática realizada em diferentes cidades brasileiras. Seu discurso recolocou o episódio no centro do debate sobre a liberdade de manifestação política.
Ocorrência é alvo de apuração
Após a abordagem, Edmilson foi levado à Central de Flagrantes, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego. A corporação informou que a Corregedoria-Geral apurará a conduta da equipe envolvida.
O Ministério Público Federal também solicitou informações às polícias Civil e Militar para esclarecer as circunstâncias da detenção e verificar possíveis repercussões eleitorais do caso.
Dois dias depois de ser levado à delegacia, Edmilson voltou a participar de uma manifestação em apoio a Lula, desta vez com espaço para relatar publicamente o que viveu.
Confira abaixo o vídeo do discurso do porteiro durante o ato em Maceió.
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