Política
Polícia Federal apresenta a Fachin dados que citam seis ministros do STF em apuração sobre o Banco Master
Relatório entregue ao presidente do Supremo reúne menções a magistrados encontradas em materiais apreendidos do empresário Daniel Vorcaro; citação não implica investigação formal ou culpa
A Polícia Federal apresenta nesta terça-feira (13) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, um levantamento com menções a pelo menos seis dos dez integrantes da Corte. Os registros constam na investigação que envolve Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A reunião foi solicitada pela própria PF para entregar os dados previamente requisitados por Fachin. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, deve colocar todo o acervo à disposição da presidência do STF, que analisará as medidas institucionais cabíveis ou a eventual elaboração de relatórios individualizados. Além dos magistrados do Supremo, o material contém citações a membros de outros tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Os nomes de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e André Mendonça aparecem direta ou indiretamente em mensagens, documentos e registros apreendidos ao longo das apurações. A Polícia Federal ressalta que a presença dessas referências não significa que os ministros sejam investigados nem comprova a prática de ilícitos.
As menções a cada ministro
Alexandre de Moraes: Registros atribuídos a Vorcaro indicam uma tentativa de contato prévia à primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro de 2025. Investigações também apontam um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Moraes nega ter mantido conversas com o empresário. O escritório afirma que a relação comercial se limitou à contratação de serviços de táxi aéreo em aeronaves ligadas a Vorcaro.
Dias Toffoli: O ministro deixou a relatoria do processo após a Polícia Federal apresentar informações sobre movimentações financeiras envolvendo a Maridt — empresa da família de Toffoli que mantinha participação no resort Tayayá, no Paraná — e fundos vinculados ao Banco Master. Toffoli nega qualquer irregularidade e defende a plena legalidade de suas atividades empresariais.
Kassio Nunes Marques: Trocas de mensagens citam repasses mensais de R$ 500 mil a Kevin Marques, filho do ministro, por meio de uma empresa de consultoria. Kevin confirmou o recebimento de R$ 281,6 mil por serviços de advocacia tributária, mas negou ter qualquer vínculo profissional com o banco. O ministro Kassio Nunes Marques declarou que nunca solicitou benefícios nem manteve contato com o dono do Banco Master.
Luiz Fux: Diálogos interceptados citam a proximidade entre o empresário e o advogado Rodrigo Fux, filho do magistrado, além de registros sobre despesas ligadas a uma viagem do ministro a Nova York e a um evento da revista Forbes.
Gilmar Mendes: Citado de forma indireta em conversas que envolvem seu ex-cunhado, Francisco Feitosa, e a advogada Dalide Corrêa. Gilmar Mendes nega ter atuado em favor de interesses de Vorcaro ou mantido qualquer sociedade com a advogada.
André Mendonça: Confirmou ter realizado uma reunião de 20 a 30 minutos com Vorcaro em março de 2025, ocasião em que discutiram precatórios de interesse da instituição financeira. O ministro nega qualquer tipo de irregularidade na agenda.
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