Política

Senado renova dois terços das vagas sob disputa acirrada

Eleições pro caminho do poder

Estadao Conteudo 04/10/2026
Senado renova dois terços das vagas sob disputa acirrada
Foto: © Carlos Moura/Agência Senado

A disputa por dois terços das cadeiras do Senado é acirrada em 24 Estados e no Distrito Federal, com pesquisas de intenção de voto revelando uma corrida intensa entre candidatos ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A eleição para o Senado se tornou uma das prioridades do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em julho de 2025, em entrevista ao portal Poder360, ele afirmou que, com metade do Senado, teria mais poder que o presidente da República: "Não adianta ele (o presidente) indicar o João (nome fictício) para o Supremo (Tribunal Federal), que eu falo para o pessoal: 'aprova ou não aprova'."

Pesquisas de intenção de voto divulgadas pela Quaest nos últimos dias indicam que, em pelo menos dois Estados, candidatos ligados a Flávio estão nas duas primeiras colocações - embora reconheçam que esses levantamentos enfrentam dificuldades em capturar o cenário competitivo do Senado, que frequentemente se define nas últimas horas antes da eleição. No caso do Piauí, foram considerados dados do Datafolha.

Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a distância entre os dois primeiros colocados e os demais supera a margem de erro da Quaest. Não obstante, Mauro Mendes (União) e Janaína Riva (MDB) em Mato Grosso, e Capitão Contar (PL) e Reinaldo Azambuja (PL) no Estado vizinho, declararam apoio ao filho mais velho do ex-presidente na corrida presidencial.

Em Santa Catarina, Carol de Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, e Esperidião Amin (PP) estão tecnicamente empatados. Em Rondônia, Roraima, Tocantins e Acre, candidatos que apoiam explicitamente Flávio aparecem em posições de destaque.

No Distrito Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) desponta isolada em primeiro lugar, segundo a Quaest, com 31%. A senadora Leila do Vôlei (PDT), aliada de Lula, está em segundo, com 27% das intenções, seguida pela deputada federal Bia Kicis (PL) com 24% e pela deputada federal Erika Kokay (PT), com 17%.

Nos três maiores colégios eleitorais do País - São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro - a situação é mais incerta. A última pesquisa da Quaest revelou que o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), registrou 25% das intenções de voto, seguido por André do Prado (PL), com 23%, e as ex-ministras de Lula, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), com 22% cada na disputa pelas duas vagas no Senado por São Paulo.

No Rio de Janeiro, berço do bolsonarismo, dois aliados de Flávio - o senador Carlos Portinho (PL) e o deputado federal Carlos Jordy (PL) - estão em patamar semelhante à petista Benedita da Silva. Em Minas Gerais, o bolsonarista Domingos Sávio (PL) possui 22%, contra 18% de Marília Campos (PT) e 18% de Carlos Viana (PSD), aliado de Flávio. Aécio Neves (PSDB), que não declarou voto, aparece com 17%.

Lula encontra algum respiro em Estados do Nordeste. Na Bahia, Rui Costa (PT), seu ex-ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner (PT), que foi líder do governo no Senado, aparecem numericamente à frente de seus adversários, com uma margem tranquila.

Na Paraíba, os três nomes mais competitivos se encontram no campo de Lula: João Azevêdo (PSB), Veneziano (MDB) e Nabor Wanderley (Republicanos). Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) lideram as intenções. No Maranhão, a ex-senadora Roseana Sarney (MDB) e o ex-ministro André Fufuca (PP) também estão nas primeiras posições e são aliados do petista. Outros Estados onde apoiadores do presidente aparecem competitivos são Amazonas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe.

BANCADAS

Conforme apurado pelo Estadão, caso as projeções se confirmem, o PL terá o maior incremento no número de senadores a partir de 2027, enquanto o PSD deve sofrer a maior perda. Os dados foram extraídos de uma ferramenta lançada pelo Estadão, que visa projetar a futura composição do Senado a partir das pesquisas mais atuais da Quaest em 26 unidades da Federação. O PL pode alcançar 25 senadores - atualmente possui 15. Contudo, mesmo com o crescimento previsto, o PL ainda dependeria de aliados para aprovar algumas das principais pautas associadas ao bolsonarismo. O Senado conta com 81 integrantes, exigindo 41 votos para a maioria absoluta.

Para aprovar um pedido de impeachment contra um ministro do STF, uma bandeira do grupo, é necessário o apoio de dois terços da Casa, ou seja, 54 senadores. O PT de Lula deve manter nove assentos, enquanto o PP, sob a presidência do senador Ciro Nogueira (PI), aumentará de sete para nove. Já o MDB poderá reduzir de nove para oito. A Quaest projeta uma diminuição na bancada do PSD, que deve cair de 14 senadores para cinco. O União Brasil, partido de Davi Alcolumbre (AP), deverá adicionar cinco assentos, totalizando oito.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.