Política
Davi Davino Filho chama Arthur Lira de “caco de vidro” e acusa deputado de controlar a direita
Em vídeo gravado dentro de um veículo, candidato ao Senado acusa adversário de controlar setores da direita alagoana e de mudar de posição conforme a conveniência
O candidato ao Senado Davi Davino Filho dirigiu um ataque contundente a Arthur Lira em um depoimento gravado dentro de um veículo para as redes sociais. Ao questionar o posicionamento político do adversário, chamou-o de “caco de vidro que fica em cima do muro” e afirmou que Lira acompanha o movimento mais conveniente aos seus interesses.
“Ele nem apoia Lula, nem apoia o Bolsonaro e é o famoso caco de vidro que fica em cima do muro, que vai para onde a maré está correndo”, declarou Davi.
A expressão resume o argumento central do vídeo: na avaliação do candidato, Arthur Lira não apresenta uma posição política definida, apesar do apoio recebido de Flávio Bolsonaro. Davi procura distinguir esse apoio de uma identificação efetiva com as pautas da direita.
Acusação de controle sobre a direita política
No início do depoimento, Davi afirma que parte da direita política de Alagoas está “aparelhada e controlada” por Arthur Lira. O candidato sustenta que o deputado exerce influência sobre o PL no estado e sobre movimentos políticos desse campo.
“O PL aqui em Alagoas hoje é comandado pelo Arthur de verdade, está por trás de tudo”, disse.
Davi faz uma distinção entre dirigentes e movimentos partidários, aos quais dirige sua acusação, e os cidadãos que se identificam com a direita. Segundo ele, sua manifestação não se refere à sociedade civil organizada nem ao eleitorado desse segmento.
As afirmações sobre o comando do PL e o controle dos movimentos representam acusações feitas pelo candidato no vídeo. O depoimento fornecido não apresenta documentos que as comprovem.
Apoio de Flávio seria resultado de negociação
Davi também apresenta sua interpretação para o apoio de Flávio Bolsonaro a Arthur Lira. Segundo o candidato, a aproximação decorre de negociações envolvendo a federação formada por PP e União Brasil, especialmente seu peso financeiro e seu tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Na versão apresentada por Davi, dirigentes partidários negociam apoio em estados com eleitorados maiores em troca de espaço político em Alagoas.
“Eu lhe dou o PP, a federação do PP aqui em São Paulo, em Minas Gerais, na Bahia e você me dá o PL de Alagoas”, afirmou, ao exemplificar o que considera uma troca entre lideranças.
O candidato argumenta que o tamanho proporcionalmente menor do eleitorado alagoano torna o estado uma peça dessas negociações nacionais. Sua conclusão é que o apoio de Flávio a Lira seria “totalmente convencional”, decorrente de um acordo partidário.
Essa explicação é a leitura política de Davi sobre a aliança, e não uma negociação comprovada pelo material apresentado.
“Sem posição nenhuma”
Ao retomar o ataque ao adversário, Davi alegou que Arthur Lira mantém influência sobre cargos federais em Alagoas durante o governo Lula, ao mesmo tempo que recebe apoio de Flávio Bolsonaro.
É nesse contexto que utiliza a imagem do “caco de vidro”: um político que, em sua avaliação, permanece sobre o muro e se desloca conforme a conveniência.
“É esse tipo de político que você quer lá em Brasília, sem posição nenhuma, para enfrentar o STF?”, perguntou aos eleitores.
Davi encerrou o depoimento com um chamado à mudança: “Vamos lá, Alagoas, vamos tirar esses caras de uma vez por todas, chegou a hora”.
A gravação explicita o confronto entre os dois candidatos e coloca em discussão a coerência das alianças na disputa pelo Senado. Ao atacar Lira, Davi busca se apresentar ao eleitor de direita como uma alternativa com posicionamento definido.
Assista ao vídeo abaixo.
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