Política
Paes e Ruas rivalizam em debate no Rio e trocam acusações em primeiro encontro
Candidatos ao governo se atacam por vínculos políticos e promessas não cumpridas durante debate na TV Globo.
Os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto na disputa pelo Palácio Guanabara, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), buscaram se contrapor durante o debate da TV Globo na noite desta terça-feira, 29. Os "padrinhos" políticos de cada um foram os principais alvos de ataques: do lado de Paes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de Ruas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).
"Todos os candidatos a governador estiveram na minha cidade e prometeram a linha 3 do metrô. O senhor Sérgio Cabral, o Luiz Inácio Lula da Silva e o Eduardo Paes, que já governava o Rio e também participava dessa pajelança", disse Ruas, que associou o ex-prefeito a Lula, candidato à reeleição, e ao ex-governador Sérgio Cabral.
Em outro momento do debate, Ruas afirmou que Paes "esconde" Lula e defendeu o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Após o vereador do Rio William Siri (PSOL) declarar apoio ao petista, o deputado estadual ironizou o ex-prefeito por não fazer o mesmo.
"Que bom que você assume o Lula. Tem gente que recebe o Lula, faz agenda e sequer posta na rede social. Você está de parabéns, tem que assumir. Eu tenho meu candidato a presidente da República, é Flávio Bolsonaro, e não escondo. O Eduardo Paes tem o Lula e ele cisma em esconder", declarou.
Siri abriu o bloco afirmando que Flávio Bolsonaro é um "bandido e miliciano". Ruas pediu direito de resposta para defender o aliado, mas não foi concedido pela produção.
Paes diz que Ruas é reserva de Bacellar
Já Paes focou em associar Ruas a Castro e a Bacellar, preso por suposta ligação com o Comando Vermelho.
"Olha, acabou de falar o secretário das cidades do Cláudio Castro, que é o reserva do Rodrigo Bacelar, que ia ser o candidato a governador no lugar dele. Ele é o reserva oficial, substituiu o Rodrigo Bacelar na presidência da Alerj. Bacelar, que vocês sabem bem, foi preso por ligações com o Comando Vermelho", disse Paes.
Paes e Ruas tentaram se desvincular dos "padrinhos políticos" durante o terceiro bloco do debate. Paes disse que Lula não é "patrão" dele, e sim um integrante de parcerias com a cidade do Rio.
"Essa é a nossa relação: a gente estabelece parceria e trabalha junto. Ele não é meu patrão. Não preciso ficar aqui 'Lula, Lula, Lula'. Eu trabalho em conjunto com o governo federal para trazer benefícios para a população", disse Paes.
Por outro lado, Ruas disse que tinha apenas uma relação de trabalho com Castro e Bacellar.
"Eu tive sim uma relação de trabalho e não nego, diferente de você. Agora, você teve uma relação de intimidade com Cláudio Castro", declarou o candidato do PL.
No terceiro bloco, o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) ironizou o desempenho de Paes e Ruas e disse que os dois estavam fazendo "encenação".
"Estamos no departamento de jornalismo da Globo, isso aqui não é teledramaturgia. Tem dois caras aqui que estão fazendo papel de artista, fingindo que são o que não são. Fazendo uma encenação para enganar você", disse Garotinho.
Crime organizado
Na última parte do segundo bloco, os candidatos discutiram o avanço do crime organizado no Estado. O ex-governador Anthony Garotinho prometeu usar forças federais para retomar comunidades e Siri prometeu realizar concursos públicos para as polícias civil, militar e penal.
O comunicador André Marinho (Novo) foi além e prometeu prender, e até matar em caso de reação à ordem de prisão, o líder da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), Álvaro Malaquias Santa Rosa, mais conhecido como Peixão. Ele é investigado por ordenar que criminosos interceptassem dois ônibus escolares e usassem os veículos como barricadas na Linha Vermelha, na manhã desta segunda, 28.
"O vagabundo encastelado na Cidade Alta chamado 'Peixão', reivindicou a autoria dessa maldade. Tão importante quanto recuperar territórios é recuperar talentos. Muitas vezes, o aluno faltante acaba sendo a presa perfeita para ser recrutado (pelo crime organizado). Eu queria dizer para o 'Peixão': nós vamos procurar você", disse.
Último debate antes das eleições
Foi a primeira participação do ex-prefeito do Rio em um debate. Além do líder nas pesquisas, participaram o bolsonarista Douglas Ruas, do PL, segundo candidato mais bem colocado nas pesquisas, o ex-governador Anthony Garotinho, do Republicanos, William Siri, do PSOL, e André Marinho, do Novo.
Marinho foi autorizado a participar do debate após decisão do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral. A decisão do TSE atendeu a um pedido do Diretório Nacional do Novo, que contestou a exclusão de seus candidatos sob o argumento de que a legenda cumpre o requisito mínimo de cinco deputados federais filiados para assegurar presença em debates. A TV Globo confirmou a participação do candidato.
De acordo com o levantamento mais recente do Instituto Quaest, divulgado nesta terça-feira, o cenário aponta Eduardo Paes na liderança, com 34% das intenções de voto, seguido por Douglas Ruas, que alcança 25%. Com a diminuição da margem entre os candidatos, o próximo debate se torna um elemento determinante no processo eleitoral.
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