Política
Bolsonaristas: dono de clube de tiro apoia Arthur Lira para o Senado
Por ter histórico em defesa irrestrita a atiradores, Arthur Lira enfrenta duras críticas de profissionais da segurança pública e da sociedade civil.
Giovanni Roncalli, dono de um clube de tiro em Maceió, usou seu perfil no Instagram para demonstrar apoio ao candidato ao Senado, Arthur Lira (PP).
Em postagem nesta terça-feira (29), Roncalli aparece em pé, ao lado de Lira, segurando um simulacro de fuzil, equipamento utilizado em clubes de tiro e treinamentos.
Na legenda da postagem, Roncalli justifica seu apoio ao candidato do PP pela atuação enquanto presidente da Câmara dos Deputados ao apreciar pautas em benefício a grupos armamentistas, tema também vinculado a bolsonaristas.
“Principalmente por ter pautado o PDL que salvou os clubes de tiro do fechamento e eliminou a perseguição da habitualidade por calibre, declaro meu apoio ao @oficialarthurlira . Só com a aprovação do PDL na câmara tivemos pressão o suficiente para o governo recuar como o fechamento dos clubes de tiro próximos à escolas”.
Diversas pessoas reagiram de forma negativa à postagem. “Deus me livre...Faz isso não Giovanni, esse ai é tranqueira…”, comentou um dos seguidores da página.
Arthur Lira pautou e articulou votações de, não apenas um PDL (Projetos de Decreto Legislativo), como pontua Roncalli, mas sim, de vários. Todos com o intuito de derrubar restrições impostas por decretos do governo do presidente Lula (PT) sobre o funcionamento de clubes de tiro e o acesso a armas por CACs (colecionadores, atiradores e caçadores).
Em dezembro de 2023, Arthur Lira colocou em votação um requerimento de urgência para acelerar PDLs que buscavam anular regras mais duras do controle de armas do Executivo, embora a necessidade célere tenha sido rejeitada pelo Plenário da Câmara.
Na mesma época, teve uma forte mobilização de entidades armamentistas e parlamentares da chamada "bancada da bala" junto à presidência da Câmara para negociar e votar propostas, como o PDL 194/2023, para flexibilizar ou remover exigências de distanciamento mínimo de 1 quilômetro entre clubes de tiro e instituições de ensino.
Devido ao seu histórico pela defesa irrestrita a atiradores, Arthur Lira enfrenta duras críticas de profissionais da segurança pública e da sociedade civil.
Opinião de especialista
De acordo com Melina Risso, uma das diretoras do Instituto Igarapé (ONG dedicada à segurança pública e aos direitos humanos), a única política pública do ex-presidente Bolsonaro para a área da segurança foi a disseminação das armas.
“Quando anuncia que as pessoas têm que se defender com as próprias mãos, o governo está dizendo: 'Esse não é meu trabalho. Vocês que se virem'.
“Na verdade, o governo está enganando as pessoas. A segurança pública é uma das primeiras responsabilidades do Estado e não pode ser terceirizada para os cidadãos”, afirma Risso.
Segundo a especialista, as armas nas mãos de civis, em vez de diminuírem a criminalidade, apenas aumentam o número de mortes — sejam homicídios e suicídios, sejam acidentes domésticos.
Arthur Lira quer calar as mulheres
Acusado de agressão pela ex-esposa, Arthur Lira acionou a Justiça para remover campanha encabeçada pelo grupo “Nós, Alagoanas” que alerta sobre não votar em agressor de mulher.
O pedido foi feito no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada por Arthur Lira ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) e foi inicialmente negado em decisão de primeira instância.
A remoção do conteúdo foi determinada pelo corregedor eleitoral, desembargador Ivan Brito, após recurso impetrado pela defesa de Lira.
Com isso, Lira conseguiu a retirada de um inflável gigante instalado na orla de Maceió com os dizeres: “Eu não voto em agressor de mulheres”.
Agressão à ex-esposa
Em novembro de 2006, a então esposa de Arthur Lira, Jullyene Lins, registrou um boletim de ocorrência no qual relatou ter sido agredida pelo deputado durante 40 minutos, antes de ser estuprada.
Em seu depoimento, a ex-esposa de Lira incluiu diversos episódios de violência sofridos durante duas décadas.
Um exame de corpo de delito realizado após a denúncia de 2006 atestou que a ex-esposa apresentava lesões e contusões decorrentes de trauma físico.
Denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de lesão corporal e ameaça, Lira acabou sendo absolvido em em 2015 pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O motivo foi a mudança no depoimento de Jullyene Lins, que revelou, em entrevista concedida posteriormente ao Jornal Folha de S.Paulo, ter cedido a uma série de ameaças e pressões psicológicas exercidas por Lira para que recuasse em suas acusações.
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