Política

Arthur Lira leva à Justiça campanha de mulheres que pede voto contra agressores

Iniciativa do movimento “Nós, Alagoanas” inclui inflável na orla de Maceió e peças na televisão

Redação com agências 29/09/2026
Arthur Lira leva à Justiça campanha de mulheres que pede voto contra agressores
Arthur Lira

O deputado federal Arthur Lira (PP), candidato ao Senado por Alagoas, acionou a Justiça Eleitoral para pedir a retirada de materiais de uma campanha contra a violência de gênero promovida pelo movimento “Nós, Alagoanas”. Entre as peças questionadas estão um inflável instalado na orla de Maceió e conteúdos veiculados na televisão e nas redes sociais.

Com a mensagem “Eu não voto em agressor de mulheres”, a iniciativa associa o combate à violência contra a mulher à escolha dos representantes políticos. O inflável e as peças de conscientização descritas na campanha não mencionam nominalmente o parlamentar.

A ação de Lira tem como alvo a campanha “Eu não voto em agressor de mulheres”, e pede a retirada de um inflável gigante instalado na orla de Maceió e de inserções na TV que buscam conscientizar a população na hora do voto com os dizeres: “Basta de agressores” e “É horrível isso”. Na mesma ação, Lira pediu a remoção de outra peça intitulada “Se você é jovem, diga não a Arthur Lira”.

Em novembro de 2006, a então esposa de Arthur Lira, Jullyene Lins, registrou um boletim de ocorrência no qual relatou ter sido agredida pelo deputado durante 40 minutos, antes de ser estuprada. Em seu depoimento, a ex-esposa de Lira incluiu diversos episódios de violência sofridos durante duas décadas de convivência com o candidato ao Senado.

Um exame de corpo de delito realizado após a denúncia de 2006 atestou que a ex-esposa apresentava lesões e contusões decorrentes de trauma físico. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de lesão corporal e ameaça, Lira acabou sendo absolvido em 2015 pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

O motivo foi a mudança no depoimento de Jullyene Lins, que revelou, em entrevista concedida posteriormente ao Jornal Folha de S.Paulo, ter cedido a uma série de ameaças e pressões psicológicas exercidas por Lira para que recuasse em suas acusações.