Política
Blog do Edivaldo: “Quem financia a rede de ataques a jornalistas e adversários de JHC?”
Jornalista relaciona decisão do TRE, publicações sincronizadas e presença de publicidade da Prefeitura de Maceió em veículos investigados
O jornalista e blogueiro Edivaldo Júnior questionou quem financia o que classificou como uma rede de comunicação utilizada para atacar jornalistas e adversários políticos de JHC. A análise foi publicada após o candidato ao Governo de Alagoas denunciar, em um vídeo nas redes sociais, a existência de um “verdadeiro gabinete do ódio” no estado.
Segundo o comunicador, a declaração de JHC poderia ser considerada apenas mais uma manifestação eleitoral não fosse uma decisão tomada praticamente ao mesmo tempo pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL).
Em tutela de urgência, o desembargador eleitoral Klever Rêgo Loureiro determinou a suspensão da programação normal de nove emissoras de rádio e de dez perfis em plataformas da Meta até o encerramento do primeiro turno.
Para Edivaldo, a decisão não responde diretamente quem financia os veículos, mas amplia os questionamentos sobre os recursos destinados a essa estrutura de comunicação.
Decisão do TRE
A medida foi determinada na Ação de Investigação Judicial Eleitoral nº 0601753-69.2026.6.02.0000, apresentada pela coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo.
A acusação sustenta que emissoras, portais e perfis eram utilizados continuamente para favorecer a candidatura de JHC ao Governo de Alagoas e atacar seus adversários.
O levantamento entregue à Justiça analisou 2.372 inserções radiofônicas, veiculadas entre 1º de junho e 9 de setembro, e 2.313 publicações de 13 perfis, divulgadas entre 2 de março e 7 de setembro.
Segundo a decisão, os documentos apresentados indicam sobreposição de dirigentes, compartilhamento de instalações e uniformidade de programação entre veículos formalmente vinculados a empresas diferentes.
O relator também destacou que o monitoramento não identificou conteúdo desfavorável à chapa de JHC nas emissoras analisadas, enquanto as inserções contrárias às candidaturas adversárias chegaram aos milhares.
Foram alcançadas pela decisão Francês FM 106,1, Farol FM 104,3, Nova Brasil FM 106,5, Francês FM 99,1, Quilombo FM 106,7, Nova Farol FM 106,3, Farol FM 90,1, Farol FM 105,7 e Adore FM 89,3.
A programação normal foi suspensa, mas permaneceram preservadas a propaganda eleitoral gratuita e as transmissões obrigatórias por lei.
O TRE também determinou a suspensão dos perfis @francesnewsbr, @quilombofm, @agoraalagoas, @t82noticias, @redefrancesfm, @francesfmagreste, @francesfmcoruripee, @francesfmpenedo, @francesfmarapiraca e @francesfmdelmiro.
A Meta deverá preservar os conteúdos, os dados cadastrais, os registros de acesso e as informações sobre anúncios. Em caso de descumprimento, foram fixadas multas diárias de R$ 50 mil por emissora e de R$ 20 mil por perfil.
A decisão é liminar e não representa julgamento definitivo. O próprio relator ressaltou que a investigação ainda deverá concluir se houve uso indevido dos meios de comunicação ou abuso do poder econômico.
Publicações sincronizadas
Na análise, Edivaldo afirma que o T82 não aparece isoladamente. Segundo o jornalista, uma reportagem contra ele foi publicada, em 9 de setembro, pelo T82 e pelo AL102 exatamente no mesmo horário, às 13h24, com título e texto iguais.
O mesmo conteúdo, ainda de acordo com o blogueiro, foi reproduzido pelo Quarto Poder naquele horário. Para o comunicador, a publicação simultânea levanta dúvidas sobre a origem do material e uma eventual atuação coordenada.
Edivaldo também aponta que os três veículos exibem ou já exibiram publicidade institucional da Prefeitura de Maceió. Outros veículos citados na investigação eleitoral também teriam veiculado peças da administração municipal.
O jornalista ressalta, porém, que a presença da publicidade não comprova, isoladamente, que a Prefeitura tenha contratado ou orientado ataques. Também não demonstra que os anúncios tenham sido condicionados ao posicionamento editorial dos portais.
Relações empresariais
No caso do T82, Edivaldo cita outro processo no qual a LBA Comunicação Ltda. apresentou-se à Justiça Eleitoral como responsável pelo portal.
Segundo o blogueiro, a empresa pertence a Lucas Garcia, ex-assessor parlamentar de JHC e ex-servidor comissionado da Prefeitura de Maceió. Bartíria Garcia, mulher do empresário, ocupa cargo comissionado na administração municipal.
Um monitoramento apresentado pelo jornalista analisou 85 publicações feitas pelo T82 entre 16 de julho e 10 de setembro. Em 74 delas, o equivalente a 87,1% da amostra, havia publicidade da Prefeitura de Maceió.
Ainda de acordo com o levantamento, foram identificadas 64 publicações críticas ao Governo de Alagoas e 12 ataques diretos ao governador Paulo Dantas. Nenhuma matéria foi classificada como elogiosa ou promocional ao governo estadual ou ao governador.
O recorte também encontrou conteúdos favoráveis à Prefeitura de Maceió, a JHC e a Rodrigo Cunha. Para Edivaldo, esses dados não comprovam uma contratação de conteúdo editorial, mas justificam a divulgação das informações sobre a distribuição da publicidade oficial.
“Caixa-preta” da publicidade
O jornalista afirma que a intermediação das campanhas institucionais por agências dificulta a identificação dos valores efetivamente destinados a cada site, rádio ou perfil.
Na avaliação do comunicador, a Prefeitura de Maceió e as agências responsáveis pela publicidade municipal devem informar quanto foi autorizado, faturado e repassado, entre 2021 e 2026, ao T82, Francês News, AL102, Quarto Poder, Francês FM, Farol FM, Nova Farol FM, Quilombo FM e às demais empresas e plataformas alcançadas pela investigação eleitoral.
Edivaldo também defende a divulgação dos planos de mídia, pedidos de inserção, critérios de escolha, relatórios de audiência, notas fiscais, comprovantes de veiculação e pessoas jurídicas que receberam os recursos.
Segundo o blogueiro, um veículo receber publicidade institucional não o impede de adotar posição editorial ou criticar governos e candidatos. O problema, afirma, surgiria se uma estrutura financiada com dinheiro público estivesse sendo utilizada para promover um grupo político, atacar adversários ou constranger jornalistas.
Para Edivaldo, se JHC pretende denunciar a existência de um “gabinete do ódio”, deve começar defendendo a abertura das contas da comunicação da Prefeitura de Maceió. Depois, acrescenta o jornalista, poderá cobrar a mesma transparência do Governo de Alagoas e de outras prefeituras.
Na avaliação do comunicador, somente a divulgação dos documentos poderá mostrar se existe uma coincidência editorial entre os veículos ou se recursos públicos ajudaram a sustentar uma estrutura de comunicação politicamente orientada.
Mais lidas
-
1MÚSICA
Joelson dos Oito Baixos leva o forró pé-de-serra ao Giro das Tradições nesta terça-feira (22)
-
2SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
3CULTURA
Rick e Renner: dupla que atravessou quatro décadas e teve separações e polêmicas ao longo da carreira
-
4INCLUSÃO DIGITAL
Ministério das Comunicações autoriza novos canais de TV aberta em dois municípios de Alagoas
-
5CULTURA
Cantor Rick, da dupla com Renner, ostenta mansões nos Estados Unidos e interior de São Paulo; conheça