Política

Lula acredita na vitória no primeiro turno das eleições

Presidente critica falta de liderança no cenário mundial e fala sobre investigações familiares.

Estadao Conteudo 27/09/2026
Lula acredita na vitória no primeiro turno das eleições
Lula - Foto: ANSA

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), declarou que acredita que vencerá as eleições no primeiro turno no próximo domingo, 4. "Estou com a leve impressão de que não haverá segundo turno", afirmou em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, na noite deste domingo, 27, pela BandNews TV.

As pesquisas eleitorais mais recentes indicam que Lula e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), estão empatados tecnicamente no primeiro turno.

"Eu acho que vai ser simples a escolha do povo. É o seguinte: pense primeiro no mundo que você quer. Depois, no candidato que você quer. Por isso eu acho que vamos ganhar a eleição no primeiro turno", enfatizou Lula.

Trump

O petista também comentou sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que ele "faz o que quiser" diante da atual fragilidade da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"O mundo está acéfalo, sem liderança. Não funciona mais a ONU, não funciona mais a OMC. É uma nau sem rumo. Do ponto de vista econômico, Trump faz o que quiser. Ninguém faz nada, a não ser o Brasil e o Canadá", afirmou Lula.

Lulinha

O presidente reiterou que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está "à disposição da Justiça" e que não tomou "um único gesto" para protegê-lo das investigações da Polícia Federal (PF).

O ex-chefe de gabinete do petista, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, admitiu ter recebido dinheiro da empresária e lobista Roberta Luchsinger, que prestou serviços para o Careca do INSS, alegando que foi um empréstimo pessoal.

Lulinha é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto tráfico de influência no governo em ligação com Luchsinger, de quem é amigo. Na entrevista, Lula duvidou que seu filho tenha se comunicado diretamente com o diretor da Petrobras ou com algum ministro. "Eu não levo 100% a sério o fato de ter um telefonema. Eu quero saber na prática. Por isso, meu filho tem que ser investigado. E será investigado. Jamais haverá um gesto meu pedindo proteção. Duvido que meu filho tenha falado com o diretor da Petrobras", afirmou.

Lula expressou preocupação com o filho, mas também se mostrou atento ao golpe bilionário do Banco Master. "Envolve muita gente da política e envolve gente da Suprema Corte", declarou.

Uísque

O presidente afirmou não se lembrar se recebeu uísque de presente do banqueiro Daniel Vorcaro. "Não sei se deu, mas se deu já bebi", comentou. "Eu não fico contando quem me dá uísque, eu ganho muita coisa", completou Lula.

Segundo conversas reveladas pelo jornal O Globo, o advogado Walfrido Warde mencionou tentativas de aproximar Vorcaro do presidente e citou o presente dado pelo banqueiro durante uma reunião no Palácio do Planalto.

Warde atuou como advogado de Vorcaro até o início deste ano e possui relações próximas com políticos do PT. "Querido, estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente", diz uma das mensagens.

Bolsa Família

Lula afirmou que seu governo aumentou o Bolsa Família em 15% porque "sobrou espaço fiscal" e porque a reposição inflacionária não havia sido realizada nos últimos anos.

"Se isso vai ser eleitoreiro ou não, o que importa para mim? O que importa é que o povo não pode ir para o sacrifício por causa da eleição", ressaltou.

Previdência

O presidente declarou também que seu governo poderá realizar uma reforma da Previdência se necessário e avisou que o crescimento econômico será o que garantirá recursos para financiar a seguridade social. "Se precisar, vamos fazer. Se não precisar, não vamos", afirmou.

"Precisamos encontrar uma maneira de financiar a Previdência. Nós já fizemos uma reforma do setor público em 2003, agora foi feita outra reforma. A Previdência terá dinheiro com o crescimento econômico", complementou.

Lula ainda garantiu que a dívida diminuirá em relação ao PIB. "Só não me peçam para cortar benefício do povo pobre, que será mantido", destacou.