Política

Jantar com Lula tem confirmados mais de 500 empresários; querem ouvir propostas para economia

Evento em São Paulo reúne líderes do setor privado em busca de diretrizes concretas para o futuro econômico do Brasil.

Estadao Conteudo 25/09/2026
Jantar com Lula tem confirmados mais de 500 empresários; querem ouvir propostas para economia

O jantar do presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com empresários, que acontecerá na noite desta sexta, 25, em São Paulo, teve alta adesão de controladores de grandes empresas e executivos de primeiro escalão. Inicialmente previsto para receber cerca de 200 convidados, o evento tem mais de 500 confirmados.

A procura pelo encontro foi tão grande na última semana que o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) suspendeu o sistema de confirmação de presença.

O local do encontro também precisou ser alterado, assim como o formato. Inicialmente programado para o Hilton com serviço em mesas, o evento foi transferido para o Tivoli Mofarrej, que possui maior capacidade.

Neste novo formato, os convidados serão dispostos em filas. Os organizadores Esfera, Prerrogativas e Parlatório tiveram que ajustar e restringir suas listas de convidados.

Entre os empresários confirmados estão Joesley Batista e Gilberto Tomazoni (JBS), José Seripieri Jr (Amil), Gustavo Pimenta (Vale), Benjamin Steinbruch (CSN), Milton Maluhy (Itaú), Gilson Finkelsztein (Santander), Ricardo Lacerda (BR Partners), David Feffer (Suzano), Sergio Zimerman (Petz) e Paulo Kakinoff (Porto Seguro).

O jantar também contará com a presença de líderes de grandes empresas associadas a diferentes segmentos, como seguros e resseguros, construção civil e indústrias.

Segundo fontes que comparecerão ao evento, a participação expressiva do empresariado no jantar não representa um endosse à candidatura de Lula (PT).

O interesse demonstra que o setor busca discutir propostas que foram pouco debatidas durante a campanha para as eleições de 2026.

Uma das fontes ouvidas pela reportagem do Estadão afirmou que a sensação geral é de que nunca se discutiu tão pouco em comparação a eleições anteriores. A apreensão entre os empresários é palpável.

Os empresários esperam ouvir diretrizes concretas, particularmente em relação à questão fiscal. Durante um comício em Curitiba no dia 12, Lula disse que "para o governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit".

Em termos gerais, a percepção é de que, caso não ocorra uma busca por maior equilíbrio nas contas públicas, o Brasil pode enfrentar uma situação crítica a partir do próximo ano.

Se o discurso do governo durante o evento for genérico, sugerindo que o empresariado deve apenas continuar trabalhando, empregando e investindo sem um direcionamento claro sobre a política econômica, isso será considerado uma grande decepção, conforme uma fonte próxima.

O mesmo pode ocorrer se a estratégia do governo for focada em temas como a garantia da democracia, corrupção ou crime organizado, deixando de lado questões econômicas.

Conforme um participante, o empresariado reconhece que Lula é um líder experiente, e mais preparado do que o candidato Flavio Bolsonaro (PL), mas considera que suas propostas econômicas são, segundo a fonte, retrógradas.

Entretanto, outra pessoa presente no evento acredita que um discurso que ofereça segurança jurídica e previsibilidade será impactante, sendo elementos esperados em um novo governo Lula. Um dos temas previstos para ser abordado é a proibição das apostas, que foi anunciada pelo governo esta semana.

Esse assunto é particularmente relevante, especialmente para o varejo, pois a alta do endividamento da população tem gerado a percepção de que as apostas online estão prejudicando o poder de compra da população.

Discursos de Carlos Vieira, presidente da Caixa, Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, Dario Durigan, ministro da Fazenda, além de Lula e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, estão programados.

Três empresários farão perguntas à equipe econômica, mas os nomes ainda estão sendo definidos.

Além deles, também estarão presentes os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Jorge Messias (Advogado-Geral da União), Alexandre Padilha (Saúde), Wellington Silva (Justiça), Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil), Leonardo Barchini (Educação), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Vinícius Marques de Carvalho (Controladoria-Geral da União).