Política
De R$ 1,3 milhão a R$ 3,1 milhões: Fundo Eleitoral da campanha de Fábio Costa mais que dobra em quatro anos
Deputado bolsonarista do PP tenta a reeleição com R$ 3,1 milhões em fundos públicos; campanha já contratou R$ 2,77 milhões, valor 66% superior a tudo o que gastou para se eleger em 2022
O deputado federal Delegado Fábio Costa (PP) chega à disputa pela reeleição em 2026 com um volume de recursos públicos muito superior ao utilizado quatro anos atrás. Em 2022, sua campanha recebeu R$ 1,3 milhão em fundos públicos. Agora, são R$ 3,1 milhões — um crescimento nominal de aproximadamente 138% em apenas quatro anos.
A diferença ganha ainda mais dimensão quando comparada ao custo total da campanha anterior. Em 2022, Fábio Costa arrecadou R$ 1.673.235,82 e gastou R$ 1.668.744,30 para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2026, antes mesmo do encerramento da campanha, a prestação de contas já registra R$ 3.165.800 em receitas e R$ 2.776.717,20 em despesas contratadas.
Ou seja: somente os gastos já contratados nesta eleição são cerca de 66,4% maiores que tudo o que Fábio Costa gastou durante a campanha inteira que o elegeu deputado federal quatro anos atrás.
Recursos públicos saltam 138%
A comparação das duas eleições revela uma mudança expressiva na estrutura financeira da candidatura.
Em 2022, dos R$ 1,673 milhão arrecadados por Fábio Costa, R$ 1,3 milhão eram fundos públicos, correspondendo a aproximadamente 77,7% de toda a receita daquela campanha.
Agora, em 2026, os registros eleitorais apontam R$ 3,1 milhões em fundos públicos dentro de uma arrecadação total de R$ 3,165 milhões. Isso significa que os recursos públicos correspondem a aproximadamente 97,9% de tudo o que a candidatura arrecadou até o recorte analisado.
Em valores absolutos, são R$ 1,8 milhão a mais em recursos públicos entre uma eleição e outra.
O aumento nominal é de aproximadamente 138,5%.
Os números mostram que, se a primeira eleição para deputado federal já teve forte participação de recursos públicos, a tentativa de reeleição ocorre com uma dependência ainda maior desse financiamento.
Bolsonarismo acompanha trajetória eleitoral
Fábio Costa está publicamente associado ao campo bolsonarista há anos. Já na campanha de 2022, movimentos alinhados ao então presidente Jair Bolsonaro declararam apoio à sua candidatura a deputado federal. Na ocasião, o próprio Fábio afirmou que pretendia manter na Câmara a defesa dos valores conservadores que dizia sustentar em sua atuação política.
Veículos da imprensa alagoana também já o classificaram como integrante da extrema-direita no Estado, uma caracterização político-ideológica dos próprios veículos. O 082 Notícias, por exemplo, incluiu nominalmente Fábio Costa entre os parlamentares que considera representantes desse campo político em Alagoas.
Em 2026, o alinhamento ao bolsonarismo voltou a ficar explícito. No último dia 7 de setembro, Fábio Costa participou, em Maceió, de manifestação contra o governo Lula e em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Durante o ato, defendeu a força eleitoral da direita e lembrou a votação obtida por Jair Bolsonaro na capital alagoana em 2022.
Semanas antes, Flávio Bolsonaro havia manifestado publicamente apoio à candidatura de Fábio Costa à reeleição.

Quase R$ 2,8 milhões já contratados
Não é apenas a arrecadação que chama atenção.
A campanha de Fábio Costa já apresenta R$ 2.776.717,20 em despesas contratadas, das quais R$ 2.170.837,70 já constam como pagas no levantamento da prestação de contas.
O teto permitido para uma candidatura a deputado federal em Alagoas é de R$ 3.176.572,53.
Com isso, a campanha já comprometeu aproximadamente 87,4% de todo o limite legal de gastos. Restam cerca de R$ 399,8 mil até o teto.
Há outra comparação reveladora: somente o que já foi efetivamente pago em 2026 supera em R$ 502 mil todo o gasto realizado durante a campanha de 2022.
Em outras palavras, mesmo considerando apenas despesas já pagas — e não tudo o que foi contratado —, a campanha atual já desembolsou aproximadamente 30% a mais que a eleição inteira de quatro anos atrás.
Uma empresa concentra R$ 512 mil
A prestação de contas também permite saber para onde parte desses recursos está sendo direcionada.
O maior fornecedor empresarial registrado até o momento é a Duo-STG Comunicação Estratégica Ltda., que aparece com R$ 512 mil em despesas contratadas.
Na sequência aparecem a Gráfica Mascarenhas Digital Ltda., com R$ 359.260, e a Gráfica e Editora Mascarenhas Ltda., com R$ 148.200. A Arte Nova Gráfica e Comunicação Visual Ltda. aparece com R$ 113.285,40, enquanto a D C Assessoria Contábil Ltda. registra R$ 95 mil.
Também há R$ 57 mil contratados com o Facebook Serviços Online do Brasil e R$ 50 mil com Pontes, Marinho e Vasconcellos Advogados, conforme os registros agregados da prestação eleitoral.
Somente as três maiores empresas listadas — Duo-STG e as duas empresas Mascarenhas — concentram mais de R$ 1 milhão em contratos de campanha.
De R$ 1,67 milhão para mais de R$ 3,16 milhões em receitas
O crescimento também aparece quando se compara toda a arrecadação das duas eleições.
Em 2022, Fábio Costa arrecadou R$ 1.673.235,82. Em 2026, a receita já alcança R$ 3.165.800.
É um aumento nominal de aproximadamente 89%.
Já o patrimônio declarado pelo candidato à Justiça Eleitoral passou de R$ 660.329,52 em 2022 para R$ 985.053,49 em 2026. Na declaração deste ano, aparecem dois bens, sendo um apartamento avaliado em R$ 816.116,86 e um veículo de R$ 168.936,63.
De vereador a deputado federal
Fábio Costa chegou à Câmara dos Deputados na eleição de 2022, quando obteve 60.767 votos e foi eleito pelo PP. Antes disso, havia sido eleito vereador por Maceió em 2020, com 12.038 votos.
Atualmente, exerce mandato federal no período de 2023 a 2027 e tenta permanecer na Câmara por mais quatro anos. A página oficial da Casa confirma que Fábio Costa é deputado federal em exercício pelo PP de Alagoas.
É justamente por se tratar de um parlamentar que busca renovar o mandato que a comparação entre as duas campanhas ganha relevância: o candidato que recebeu R$ 1,3 milhão em recursos públicos quando conquistou a vaga em 2022 dispõe agora de R$ 3,1 milhões dessa mesma categoria de financiamento para tentar permanecer no cargo.
Financiamento é legal; valores são públicos
O recebimento de recursos públicos para campanha é permitido pela legislação eleitoral. Os partidos distribuem os recursos de acordo com critérios internos previamente estabelecidos e submetidos às regras e à fiscalização da Justiça Eleitoral.
Portanto, o volume recebido, isoladamente, não constitui indício de irregularidade.
O interesse público está na transparência sobre a dimensão desse financiamento e na fiscalização de sua utilização: quanto cada candidatura recebeu, qual a origem dos recursos, quem foi contratado e quanto foi gasto.
No caso de Fábio Costa, a comparação é objetiva.
2022: R$ 1,3 milhão em fundos públicos, R$ 1,673 milhão arrecadado e R$ 1,668 milhão gasto.
2026: R$ 3,1 milhões em fundos públicos, R$ 3,165 milhões arrecadados, R$ 2,776 milhões já contratados e R$ 2,170 milhões efetivamente pagos.
Em quatro anos, portanto, o dinheiro público destinado à candidatura mais que dobrou, saltando R$ 1,8 milhão, enquanto a campanha atual já custa, em despesas contratadas, 66% mais do que toda a campanha que elegeu Fábio Costa deputado federal em 2022.
Os valores correspondem ao retrato da prestação de contas disponível durante a campanha e permanecem sujeitos a novos lançamentos, correções e retificações até a apresentação das contas definitivas à Justiça Eleitoral.
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