Política
[VÍDEO] R$ 1,5 milhão para presidenciável e R$ 350 mil para irmão: dirigente acusa João Caldas de fazer do DC “negócio de família”
Presidente do partido em Sergipe denuncia abandono de candidaturas femininas, questiona a concentração de recursos eleitorais e vincula o comando nacional da legenda ao projeto de JHC em Alagoas
George William Leandro afirma que diretórios estaduais ficaram sem apoio, questiona repasse de R$ 350 mil a irmão do dirigente nacional e cobra explicações sobre R$ 1,5 milhão destinado à presidenciável Clariana Barão
O presidente estadual do Democracia Cristã em Sergipe, o artista George William Leandro Barbosa, publicou um vídeo nas redes sociais com graves questionamentos sobre a distribuição dos recursos eleitorais do partido comandado nacionalmente pelo ex-deputado alagoano João Caldas, pai do ex-prefeito de Maceió e candidato ao Governo de Alagoas, JHC.
Em uma manifestação de mais de dez minutos, George Leandro afirmou que candidaturas do DC em diferentes estados estariam sendo deixadas sem o apoio financeiro mínimo, enquanto recursos expressivos teriam sido direcionados à candidata à Presidência da República, Clariana Barão, e a um irmão de João Caldas.
“Ele trata o partido, a coisa pública, como se fosse um negócio de família”, declarou o dirigente sergipano.
George William aparece oficialmente no cadastro do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe como presidente do órgão provisório estadual do Democracia Cristã, com vigência entre março de 2026 e março de 2027.
R$ 350 mil para irmão de João Caldas
Um dos pontos mais contundentes do vídeo é o questionamento sobre a destinação de R$ 350 mil à campanha de Francisco Geraertes Caldas da Silva, o Geo Caldas Ministro das Águas, candidato a deputado federal pelo DC em Pernambuco.
Segundo George Leandro, o candidato beneficiado seria irmão do presidente nacional da legenda.
“Ontem conversei com o presidente daqui de Pernambuco. Ele não recebeu nada. Mas tem um candidato que recebeu R$ 350 mil, que é irmão dele, irmão do João”, afirmou.
Os dados eleitorais disponíveis confirmam que a candidatura de Geo Caldas declarou o recebimento de R$ 350 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha — o fundo eleitoral — em um único lançamento.
A relação familiar mencionada pelo dirigente sergipano, entretanto, precisa ser formalmente esclarecida por João Caldas e pela direção nacional do DC.
Candidaturas estariam sem estrutura mínima
George Leandro disse ter organizado candidaturas femininas em Sergipe, inclusive para o Governo do Estado, mas afirmou que o diretório não teria recebido recursos nem sequer para as despesas básicas da campanha.
Ele também relatou ter recebido reclamações de candidatas do Rio Grande do Sul, da Paraíba, de São Paulo e de outros estados.
“Você imagina as candidatas daqui, que estão sendo humilhadas; as candidatas do Rio Grande do Sul que me ligaram, da Paraíba que me ligaram. As mulheres estão sendo humilhadas por esse partido”, afirmou.
O dirigente diferenciou o dinheiro destinado à manutenção partidária dos recursos especificamente reservados às campanhas eleitorais. Segundo ele, embora soubesse que o DC teria uma estrutura financeira limitada, esperava que os diretórios estaduais recebessem pelo menos condições mínimas para contador, advogado, transporte e alimentação.
Oficialmente, o Fundo Partidário se destina principalmente à manutenção das sedes e dos serviços das legendas, embora também possa ser empregado nas campanhas. Já o Fundo Especial de Financiamento de Campanha é voltado exclusivamente ao custeio eleitoral.
R$ 1,5 milhão para Clariana Barão
O presidente do DC sergipano também questionou a transferência de R$ 1,5 milhão para a campanha presidencial de Clariana Barão.
Os dados disponíveis na prestação de contas da presidenciável registram receitas de aproximadamente R$ 1,513 milhão, das quais R$ 1,5 milhão são provenientes de recursos públicos.
George afirmou que, ao procurar Clariana, teria ouvido dela que não controlava diretamente o dinheiro. A partir dessa conversa, levantou a suspeita de que João Caldas teria ingerência sobre a utilização da verba.
“Quando fui conversar com ela, ela me disse que o dinheiro não ficou com ela. Então, ela está me dizendo que a grana foi para o João, que ele pegou o dinheiro”, declarou.
Essa parte da manifestação constitui uma alegação de George Leandro e não foi comprovada pelos documentos consultados. A prestação de contas registra formalmente os recursos como receita da campanha de Clariana, que foi oficializada pelo DC como candidata à Presidência em convenção realizada no dia 5 de agosto.
Dirigente aponta contradição no discurso feminino
George Leandro também direcionou críticas à senadora Eudócia Caldas, esposa de João Caldas e mãe de JHC, e à própria Clariana Barão. Para ele, existe uma contradição entre o discurso público de defesa das mulheres e a situação das candidatas do partido que, segundo relata, não receberam apoio financeiro.
“Que tipo de mulher vocês estão defendendo? Vocês têm que começar a defender as mulheres do partido de vocês”, cobrou.
A crítica ocorre num momento em que o DC apresenta a candidatura de Clariana como símbolo da participação feminina na política. A chapa presidencial da legenda é formada por duas mulheres: Clariana Barão e a candidata a vice-presidente, Fabiana Torquato.
O próprio partido recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral para tentar garantir a participação de Clariana em debate presidencial, alegando falta de isonomia e baixa representatividade feminina.
Cobrança chega ao núcleo político de JHC
No vídeo, George Leandro ampliou os questionamentos para o núcleo familiar e político de João Caldas. Ele lembrou que Marluce Caldas, irmã do presidente do DC e tia de JHC, ocupa uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça após ter sido indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O dirigente também considerou estranho o distanciamento público entre a candidata presidencial do DC e a campanha de JHC em Alagoas. Segundo ele, Clariana praticamente não aparece nas publicações do candidato ao Governo, apesar de João Caldas comandar nacionalmente o partido e manter atuação direta na política alagoana.
“Você não vê uma foto da Clariana junto com JHC. Não tem. Ele é o diretor da campanha de JHC, é pai do JHC, mas a candidata que lançou à Presidência não aparece nas publicações”, declarou.
George ainda levantou dúvidas sobre a estratégia presidencial do DC e perguntou se a candidatura de Clariana poderia servir apenas para retirar votos de adversários, com eventual apoio a Lula num segundo turno. Ele não apresentou provas dessa hipótese.
Doação pessoal também é questionada
Outro ponto citado pelo dirigente foi uma doação pessoal de R$ 6 mil que teria sido feita à campanha de Clariana por uma pessoa identificada no vídeo como “Eudo”.
George afirmou considerar a movimentação curiosa porque, segundo ele, o doador teria se oposto inicialmente ao lançamento da candidata. O dirigente não apresentou, entretanto, elementos que indiquem ilegalidade na contribuição.
“Não estou dizendo que há alguma coisa errada. Quero entender por que ele doou R$ 6 mil para uma pessoa que já tinha recebido R$ 1,5 milhão”, declarou.
Crise interna exposta às vésperas da eleição
O pronunciamento expõe uma crise interna no Democracia Cristã a poucos dias das eleições. As acusações atingem diretamente a condução nacional de João Caldas e colocam sob questionamento os critérios utilizados para distribuir o dinheiro público recebido pela legenda.
A legislação eleitoral estabelece regras para a aplicação dos recursos partidários e determina percentuais destinados às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas. Os cálculos relativos às candidaturas femininas são feitos nacionalmente, considerando o conjunto de registros apresentados pelo partido.
Mais lidas
-
1MÚSICA
Joelson dos Oito Baixos leva o forró pé-de-serra ao Giro das Tradições nesta terça-feira (22)
-
2POLÍTICA
Gilmar Mendes envia advogado de confiança para falar com Flávio Bolsonaro
-
3SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
4CULTURA
Rick e Renner: dupla que atravessou quatro décadas e teve separações e polêmicas ao longo da carreira
-
5ESPORTE
Luta nascida na União Soviética ganha o Ocidente; modalidade mistura judô, jiu-jitsu e wrestling