Política
JHC evita novo debate enquanto casos Ilumina e Banco Master elevam pressão sobre campanha
Candidato não compareceu ao encontro da TV Pajuçara/Record neste sábado (19); fato ocorre um dia após funcionários de empresa contratada pela gestão municipal serem detidos com R$ 2 milhões em espécie
João Henrique Caldas (PSDB) não compareceu a mais um debate entre os candidatos ao Governo de Alagoas. Neste sábado (19), o ex-prefeito de Maceió deixou de participar do confronto promovido pela TV Pajuçara/Record, em mais uma ausência durante a campanha eleitoral. Na sexta-feira (18), ele já havia faltado ao debate da TV Ponta Verde/SBT, alegando “conflito de agenda”. Antes disso, também não participou do debate promovido pela Band Alagoas, em 12 de setembro.
"Ele não vem ao debate porque ele tem a esconder e não tem o quê propor aos alagoanos. É só enganação", comentou Renan Filho. "Infelizmente, o candidato adversário não respeita nem aqueles que organizam esse debate, muito menos ainda o eleitor alagoano, porque não quer debater fora do ambiente controlado. Só conversa com as pessoas pelo mundo digital".
Renan Filho continuou: "Aliás, as pessoas são obrigadas só a ouvir o que ele diz. Enquanto, num momento como esse, onde nós poderíamos trocar ideias sobre o melhor caminho para Alagoas, ele foge de mais um debate. Foge por quê? Porque ele foi ao primeiro debate na Gazeta, e meteu os pés pelas mãos, colocou o carro na frente dos bois e não sabia direito o que dizia".
As ausências ocorrem em um momento de aumento da pressão sobre o candidato, que vem sendo cobrado a prestar esclarecimentos sobre episódios relacionados à sua gestão na Prefeitura de Maceió. Na sexta-feira, dois funcionários da Ceilurb, empresa que presta serviços à Ilumina — autarquia municipal responsável pela iluminação pública — foram detidos após serem encontrados com cerca de R$ 2 milhões em espécie. A origem e a destinação do dinheiro ainda são objeto de investigação.
A ação ocorreu a partir de informações compartilhadas pela Secretaria da Segurança Pública de Sergipe. A empresa, registrada como Vasconcelos e Santos Ltda., mantém contrato com a Ilumina desde 2022 e também é citada em investigações no estado vizinho. A polícia ainda apura a relação entre o dinheiro apreendido e as atividades da empresa. No entanto, o valor pode ter relação com financiamento eleitoral ou compra de votos.
O episódio chama atenção pelo volume de recursos movimentados pela empresa junto ao município. Levantamento com base nos registros do Portal da Transparência aponta pagamentos de aproximadamente R$ 320,5 milhões à Ceilurb entre 2021 e setembro de 2026, dos quais cerca de R$ 52 milhões foram pagos somente neste ano.
A relação entre a Prefeitura e a empresa também envolve um Termo de Ajustamento de Gestão no valor de R$ 212,2 milhões, formalizado três dias antes da renúncia de JHC ao cargo de prefeito para disputar as eleições. Nove dias antes da apreensão do dinheiro, a Prefeitura havia realizado pagamentos que totalizaram R$ 8,5 milhões à empresa, segundo levantamento divulgado pela imprensa local.
É nesse ambiente de sucessivas cobranças que JHC opta por não participar dos debates públicos. Na sexta-feira, enquanto o candidato não comparecia à TV Ponta Verde, ganhava repercussão uma entrevista concedida pelo ex-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Teixeira Mota.
Mota afirmou que pretende prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre o caso envolvendo os investimentos do Iprev no Banco Master. Em entrevista à Tribuna Independente, ele disse que falará sobre o assunto “no momento certo”.
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