Política
Planalto convoca reunião de emergência após Trump classificar PCC e CV como terroristas
Governo Lula debate resposta oficial e avalia impactos econômicos e diplomáticos após decisão dos EUA
O Palácio do Planalto realizou nesta sexta-feira, 29, uma reunião de emergência para discutir a resposta do governo brasileiro à decisão dos Estados Unidos, sob a administração Donald Trump, de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Participaram do encontro os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública), além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.
Também foram apresentados assessores do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e membros da Assessoria Especial da Presidência da República, entre eles o embaixador Audo Faleiro, número dois da equipe.
A reunião teve início pela manhã e se estendeu até o início da tarde. Segundo participantes, novos encontros deverão ocorrer nos ministérios envolvidos para aprofundar as discussões.
O encontro foi fundamental para definir o tom da resposta oficial. Em nota divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social, o governo reafirmou a defesa da soberania nacional e criticou os pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, às autoridades americanas sobre o tema.
Como antecipado pelo Estadão, a reunião foi programada na noite de quinta-feira, 28, após a decisão do Departamento de Estado dos EUA ser oficializada. O governo Lula já se preparava para uma resposta à altura, em movimento semelhante ao adotado durante o tarifaço de 9 de julho de 2025.
Os participantes também avaliaram o alcance da medida e os possíveis impactos econômicos e financeiros. Segundo fontes da diplomacia, houve manifestações de preocupação sobre o setor financeiro. O governo teme riscos ao sistema PIX, criado pelo Banco Central, que já vem sendo investigado comercialmente pelos EUA e pode ser alvo de novas tarifas.
A principal preocupação é com os bancos nacionais, que podem ser alvo de avaliações do Tesouro americano e ficar impedidos de realizar operações internacionais, como ocorreu com três instituições financeiras mexicanas acusadas de lavar dinheiro para carrinhos.
"Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia", afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin, em São Paulo.
PCC e CV são as mais recentes organizações criminosas brasileiras incluídas na lista do Departamento de Estado dos EUA. Antes, o governo Trump já havia adotado uma medida contra 14 grupos latino-americanos, principalmente cartéis mexicanos.
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