Política
Lula chama Flávio de 'traidor da Pátria' e critica decisão dos EUA sobre facções
Presidente reage à classificação do PCC e CV como terroristas e rebate atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez sua primeira manifestação pública após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em discurso realizado em Sergipe, Lula afirmou estar triste com a decisão e criticou a postura americana, dizendo que o Brasil não pode ser tratado como "moleque" ou "republiqueta".
"Querem combater o crime organizado? Entreguem os nossos que estão lá nos Estados Unidos. Nós não aceitamos ser tratados como moleques, como se fôssemos uma republicana", declarou Lula durante cerimônia de investimentos da Petrobras em Laranjeiras (SE).
Lula percebeu que o PCC e o CV praticavam terror nas comunidades brasileiras, mas garantiu que o combate a essas facções será feito pelo governo federal, sem interferência externa. O presidente destacou a aprovação da Lei Antifacção e cobrou do Senado a aprovação da PEC da Segurança Pública.
Em referência ao presidente norte-americano, Lula afirmou que os Estados Unidos não podem brincar com a "soberania e a democracia brasileira".
'Traidor da Pátria'
Lula também criticou o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusando-o de ser um “traidor da Pátria” por pedir intervenção dos EUA no Brasil durante visita a Washington DC, na última terça-feira (26), em defesa da medida imposta pelo Departamento de Estado americano.
O presidente comparou Flávio Bolsonaro a Joaquim Silvério dos Reis, conhecido traidor da Inconfidência Mineira, afirmando que este "ficaria envergonhado" diante da atitude do senador.
"Não tem vergonha na cara de trair a nossa Pátria e ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Joaquim Silvério dos Reis ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato à Presidência que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", afirmou Lula.
O presidente ainda ironizou, dizendo que, se a família Bolsonaro tivesse pedido de intervenção dos EUA para prender milicianos, todos já estariam presos em território americano.
Lula também atribuiu uma movimentação bolsonarista ao fato de ter sido eleito presidente pela quarta vez: “Estão incomodados porque sabem que vou vencer a eleição outra vez”.
Cooperação com os EUA na segurança
Sobre uma possível cooperação em segurança pública, Lula condicionou qualquer acordo à desmobilização de esquemas de lavagem de dinheiro em Delaware e à extradição de Ricardo Magro, dono da Refit. O presidente também citou o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL), que vive nos EUA após ser condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A decisão dos EUA
Na quinta-feira (28), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou que o país está designando o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, com a medida entrando em vigor em 5 de junho. "O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Sua influência se estende por toda a nossa região e chega ao nosso país", escreveu Rubio na rede X.
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