Política
Membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no Brasil, afirma Alckmin, que cita economia
Vice-presidente critica influência da família Bolsonaro em decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin , afirmou nesta sexta-feira, 29, que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode trazer prejuízos à economia brasileira. Segundo Alckmin, a decisão da Casa Branca teria sido influenciada pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Pensam mais em si do que no País, porque isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia", declarou o vice-presidente.
De acordo com Alckmin, o clã Bolsonaro buscou a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas para desviar o foco das relações entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
“Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando fatos, fatos novos para desviar a atenção da questão do Banco Master, que é gravíssima do ponto de vista de corrupção e de sonegação”, afirmou Alckmin.
A declaração foi feita durante a cerimônia de entrega de seis veículos para cidades do Litoral Norte de São Paulo, em Caraguatatuba (SP).
Na quinta-feira, 28, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou que o país está designando o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida entra em vigor a partir de 5 de junho.
“O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Sua influência se estende por toda a nossa região e chega ao nosso país”, escreveu Rubio na rede social X.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posicionou contra a medida. Lula se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último dia 7, buscando reverter essa e outras decisões americanas que pudessem impactar o Brasil.
Na terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência e opositor de Lula, se encontrou com Trump e, segundo ele, solicitou ao presidente norte-americano a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. A decisão do Departamento de Estado foi anunciada dois dias após o encontro.
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