Política

Senador do PL afirma que Caetano Veloso pegou em armas na ditadura e Otto Alencar rebate

Durante sabatina na CCJ, afirmação de Marcio Bittar sobre Caetano Veloso é corrigida por Otto Alencar, e cantor agradece nas redes sociais.

29/04/2026
Senador do PL afirma que Caetano Veloso pegou em armas na ditadura e Otto Alencar rebate
Marcio Bittar (PL-AC) - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Durante a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (29), o senador Marcio Bittar (PL-AC) afirmou que o cantor Caetano Veloso teria pegado em armas durante a ditadura militar. A declaração foi imediatamente corrigida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA): “Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira no violão”.

Bittar declarou: “Fernando Gabeira, até o Caetano Veloso, em um momento de lucidez admitiram isso, os dois disseram isso: 'Nós não lutávamos pela democracia, lutávamos pela implantação da ditadura do proletariado'. E em nome disso pegaram em armas. Foram para a guerrilha urbana e rural. Mataram pessoas, fizeram justiçamento, e todas foram perdoadas e anistiadas em 1979”. O senador, assim como outros colegas do Partido Liberal, votou contra a indicação de Jorge Messias.

Após o episódio, Caetano Veloso agradeceu a Otto Alencar, presidente da CCJ, por restabelecer a verdade. Em seu perfil no X (antigo Twitter), o artista escreveu: “Meu agradecimento ao senador Otto Alencar por restabelecer a verdade e desfazer mais uma FAKE NEWS repetida com tanta convicção. Tenho horror a armas! Como bem foi dito, me muno apenas do violão, da palavra e da canção. Abraçaço”.

Caetano Veloso foi preso em 1968, durante a ditadura militar, sob acusação de “subversão e incitamento à desordem”, em razão de sua atuação artística, sem qualquer menção a uso de armas ou participação em guerrilha.

No encerramento da sabatina, Bittar voltou ao assunto e negou ter divulgado informações falsas sobre Caetano Veloso. O senador afirmou que sua fala estava gravada e que não cometeu “fake news”.

Após oito horas de sabatina, a CCJ aprovou a indicação de Jorge Messias, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 16 votos favoráveis e 11 contrários. Agora, a análise segue para o plenário do Senado, onde são necessários 41 votos favoráveis dos 81 senadores.