Política

STF torna deputado Gustavo Gayer réu por postagem que associa Lula ao nazismo e ao Hamas

Deputado do PL de Goiás responderá a processo após publicação de imagem manipulada do presidente Lula; Supremo entendeu que postagem extrapolou os limites da crítica política.

28/04/2026
STF torna deputado Gustavo Gayer réu por postagem que associa Lula ao nazismo e ao Hamas
Gustavo Gayer - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réu o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), acusado de divulgar uma imagem manipulada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em publicação na rede social X.

A denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), aponta que o parlamentar publicou uma montagem que retrata Lula em uniforme militar, portando um fuzil e acompanhado de símbolos associados ao nazismo e ao grupo terrorista Hamas.

Segundo a PGR, a imagem foi manipulada “com inúmeras inserções artificiais destinadas a apresentá-lo como simpatizante de ideologias antissemitas, bem como de grupos terroristas”, afirmou a subprocuradora-geral da República Elizeta de Paiva Ramos ao defender a acusação.

A acusação sustenta que a publicação ultrapassa os limites da crítica política e configura ataque à honra do presidente. Para a PGR, a imunidade parlamentar não se aplica ao caso, já que a manifestação ocorreu fora do ambiente do Congresso e foi feita por meio de rede social.

“A imunidade parlamentar não é absoluta e não abrange manifestações que extrapolem o debate político e avancem para o campo da ofensa pessoal”, argumentou o Órgão.

O relator do caso, ministro Flávio Dino, votou nesta terça-feira (28) pelo recebimento da denúncia. Para o magistrado, a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão, mesmo no contexto da atuação parlamentar. “Não há dúvida de que houve uma ultrapassagem no perímetro de tolerância admitido pela controvérsia, ainda que se trate de um deputado federal”, afirmou.

Dino foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Nos autos, a defesa do deputado alegou que a publicação se inseria no campo da crítica política e não constitui crime. Os advogados também argumentaram que o caso estaria protegido pela imunidade parlamentar, o que impede a responsabilização dos congressistas por opiniões, palavras e votos no exercício do mandato.