Política
Senador Alessandro Vieira é processado por escritório da esposa de Moraes
Família de Alexandre de Moraes pede indenização após declarações do senador sobre suposta ligação com grupo criminoso.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta terça-feira (28) que está sendo processado por danos morais pelo escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
De acordo com a assessoria de Vieira, a ação é movida pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e pelos filhos Giuliana e Alexandre Barci de Moraes. Eles solicitam indenização de R$ 20 mil para cada um dos autores.
Até a publicação desta matéria, o escritório não havia se manifestado sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação.
O processo alega que o senador teria violado a honra e a imagem do escritório ao afirmar, em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News, que o escritório teria recebido recursos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Alessandro Vieira, por sua vez, argumenta que suas declarações se referiram ao fluxo financeiro sob investigação pela CPI do Crime Organizado, da qual foi relator, e nega ter estabelecido ligação entre o PCC e o escritório da família do ministro. "Eu não disse isso. Em nenhum momento, está gravado. O que eu disse, repito, é provado e confessado, é que eles receberam sim, cerca de R$ 80 milhões do Banco Master, que hoje nós sabemos, era um grupo criminoso", afirmou o senador.
"O que fiz foi relatar o processo provável de lavagem de dinheiro realizado por um grupo que contratou os serviços do escritório da família Moraes. Não apontei em nenhum momento uma ligação direta entre o PCC e o referido escritório", acrescentou Vieira.
Informações da declaração de Imposto de Renda do banqueiro Daniel Vorcaro enviadas à CPI indicam que o Barci de Moraes Sociedade de Advogados recebeu R$ 80.223.653,84 em pagamentos do Banco Master entre 2024 e 2025. Caso o contrato fosse cumprido integralmente, o valor pago poderia chegar a R$ 129 milhões até 2027.
O escritório declarou que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".
Para o senador, o processo movido pelos familiares do ministro do STF representa uma "tentativa de intimidação" que se soma a "ameaças e ofensas dos ministros (Dias) Toffoli e Gilmar (Mendes), sintomas de um quadro grave, onde uma elite se julga intocável".
Na entrevista citada no processo, concedida em 15 de março, Vieira abordou dados recebidos pela CPI do Crime Organizado sobre as atividades financeiras do Banco Master. Segundo ele, Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do banco, elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontam indícios de uma "lavanderia" de dinheiro.
"Você tem apurações em andamento que apontam a chegada de recursos do PCC, uma organização criminosa violenta. Você tem indicativos de pagamento a autoridades de diversos poderes, servidores públicos de carreira, políticos, eventualmente pessoas ligadas ao Judiciário", declarou Vieira.
Ao detalhar, o senador mencionou a família de Moraes: "A gente tem informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação é ilícita. Moralmente falando, ela é absolutamente reprovável. Juridicamente falando, a gente vai ter que ter mais passos para constatar. Quando o Master contrata o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes, ele está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviços correspondentes aos valores recebidos? Até o momento o indicativo é que não", concluiu o senador.
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