Política

Justiça torna Siderlane Mendonça réu por esquema de R$ 2,8 milhões na Câmara de Maceió

Redação 27/04/2026
Justiça torna Siderlane Mendonça réu por esquema de R$ 2,8 milhões na Câmara de Maceió
- Foto: Camara Municipal de Maceió

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) formalizou uma denúncia contra o vereador Siderlane Mendonça (PL) e outras 15 pessoas, acusadas de integrar uma organização criminosa estruturada dentro do legislativo municipal. Segundo o órgão, o grupo operava um esquema de "rachadinha", lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral com ramificações que se estenderam de 2018 até 2025.

A denúncia foi aceita pela Justiça Eleitoral, tornando os investigados réus. O processo detalha o uso de cargos comissionados para o desvio de salários, que seriam redirecionados para o pagamento de despesas privadas do parlamentar e o financiamento irregular de campanhas.

Histórico de Afastamento e Retorno

Em abril de 2025, o avanço das investigações levou ao afastamento judicial de Siderlane Mendonça do cargo, além do bloqueio de bens e valores que ultrapassavam R$ 200 mil. No entanto, após uma decisão favorável do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), o vereador retomou suas atividades na Câmara Municipal no dia 28 de julho de 2025.

O Funcionamento do Esquema

As investigações, conduzidas em conjunto com a Polícia Federal, revelaram uma divisão de tarefas clara para ocultar a origem ilícita dos recursos:

Núcleo Familiar: Concentrava os recursos financeiros desviados.

Núcleo Financeiro: Responsável pela execução de movimentações, saques fracionados e pagamentos.

Assessores e "Laranjas": Servidores que recebiam salários oficiais, mas devolviam parte ou a totalidade dos valores ao grupo.

Evidências: O material reunido inclui quebras de sigilo bancário e dados extraídos de celulares que apontam gastos com aluguel e veículos de luxo fora da contabilidade oficial, além de doações eleitorais feitas por assessores com renda incompatível.

Penas Podem Ser Severas

De acordo com o MP, as penas máximas previstas para os crimes atribuídos ao grupo, quando somadas, podem ultrapassar 7 mil anos de prisão. O cálculo leva em conta a reiteração das práticas e a participação individual de cada réu na hierarquia da organização.

O caso segue em tramitação na Justiça Eleitoral, onde serão apresentadas as defesas dos acusados.