Política

TRE-AL suspende pesquisa da Falpe por irregularidades na corrida eleitoral de 2026

Decisão aponta que levantamento limitou entrevistas à Grande Maceió, mas tentou projetar cenário de todo o estado; nomes de pré-candidatos também foram questionados

Redação 06/03/2026
TRE-AL suspende pesquisa da Falpe por irregularidades na corrida eleitoral de 2026
- Foto: Agencia Tribuna União

O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, em decisão liminar, através do relator, o juiz Maurício Breda, a suspensão imediata da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto realizada pela Falpe Pesquisas S/S Ltda para o pleito de 2026. A medida atende a um pedido do diretório estadual do MDB, que apontou falhas metodológicas graves, capazes de comprometer a fidedignidade dos dados apresentados ao eleitorado.

O levantamento tornou-se alvo de questionamentos jurídicos após apresentar um retrato que, segundo a representação, não condiz com a realidade demográfica de Alagoas.

Falhas na amostragem e exclusão do interior

O ponto central da controvérsia reside na abrangência geográfica do estudo. Embora a pesquisa tenha ouvido 1.200 eleitores, as entrevistas ficaram restritas a apenas 13 municípios da Região Metropolitana de Maceió. No entanto, os resultados estavam sendo propagados como um reflexo de todo o estado.

Para o MDB, essa limitação geográfica gera um desequilíbrio informativo:

Distorção: A ausência de eleitores do interior altera a percepção real do cenário.

Exclusão: Grande parte da população alagoana fora do eixo metropolitano foi desconsiderada no cálculo.

Inconsistências nos cenários estimulados

Além da geografia, a Justiça Eleitoral analisou discrepâncias nos nomes apresentados aos entrevistados. Na simulação para o Governo do Estado, o estudo focou exclusivamente no prefeito de Maceió, JHC (PL), e no ex-governador Renan Filho (MDB).

Já no cenário para o Senado, houve uma omissão que chamou a atenção dos magistrados: o nome de JHC não foi incluído na lista de opções, apesar de ser amplamente cotado como um possível postulante ao cargo.

"Há indícios de irregularidades e risco de prejuízo ao debate eleitoral", destacou o relator do processo ao fundamentar a suspensão.

Com a decisão, qualquer veículo de comunicação ou rede social está proibido de replicar os dados da pesquisa sob pena de sanções legais. O mérito da ação ainda deve ser julgado pelo pleno do Tribunal.