Política
Deputado do PT aciona PGR contra Campos Neto por suposta omissão na supervisão do Banco Master
Lindbergh Farias solicita investigação criminal e requer documentos internos do Banco Central sobre atuação de Campos Neto diante de sinais de fragilidade financeira do Banco Master.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou nesta quarta-feira, 4, uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de investigação criminal contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por suposta omissão na supervisão do Banco Master.
Na representação, Lindbergh também pede a exigência de documentos internos do Banco Central relacionados à fiscalização da instituição financeira, além do depoimento de Campos Neto e de outros servidores envolvidos nas decisões.
Procurado pela reportagem, Campos Neto não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para futuras declarações.
Segundo o parlamentar, havia sinais de fragilidade financeira do Banco Master que foram monitorados pelo Banco Central ao longo dos anos, sem que medidas mais rigorosas, como intervenção ou direção fiscal, fossem obrigatórias. Lindbergh argumenta que as restrições do banco poderiam ter sido evitadas caso as providências fossem tomadas anteriormente.
"Relatos indicam que sinais de fragilidade, especialmente relacionados à liquidez e à qualidade de ativos, já eram detectáveis ao longo dos anos que antecederam a liquidação. Esses sinais, ao que se noticia, foram objeto de relatórios internos e alertas técnicos, circunstanciais que exigem investigação detalhada quanto ao tratamento dadas essas informações", sustenta o deputado.
Na petição, Lindbergh cita ainda uma reportagem do Estadão, publicada em abril do ano passado, para argumentar que uma norma editada pelo Banco Central em outubro de 2023, ainda sob a gestão de Campos Neto, teria aberto brecha para que o Banco Master e outras instituições não fossem obrigadas a contabilizar o risco de carregamento de precatórios e direitos creditórios em seus balanços.
Com isso, o Mestre, que possui forte participação desses papéis entre seus ativos, poderia continuar operando sem necessidade de novos transportes dos sócios ou de ser obrigado a vender ativos.
“Tecnicamente, a norma do BC editada à época da presidência do ora representou alterou os chamados fatores de ponderação de risco (FPR), uma classificação que aumenta o risco de determinados ativos no balanço das instituições financeiras”, escreveu o deputado petista.
Campos Neto sabia dos problemas do Mestre, mas evitou intervir
De acordo com o Estadão, Campos Neto tinha conhecimento dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Banco Master durante sua gestão à frente do Banco Central, mas evitou adotar medidas mais extremas contra a instituição.
O crescimento do Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, ocorreu entre 2019 e 2024, período em que Campos Neto esteve à frente da autoridade monetária. Em 7 de novembro de 2024, conforme revelou o Estadão, o Banco Master enviou comunicação ao Banco Central comprometendo-se a adotar medidas para recompor sua saúde financeira até maio de 2025.
Essa manifestação foi uma resposta a um ultimato da autoridade monetária, um ano antes de o banco ser liquidado pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.
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