Política

Equipe de Vorcaro usou técnica hacker para roubar senhas de funcionários do Ministério Público

Polícia Federal aponta uso de spear phishing por grupo ligado a banqueiro para acessar sistemas do MPF, FBI e Interpol

04/03/2026
Equipe de Vorcaro usou técnica hacker para roubar senhas de funcionários do Ministério Público
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Federal identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro e sua equipe utilizaram uma técnica hacker chamada "Spear Phishing" para roubar senhas de funcionários do Ministério Público Federal (MPF), invadir sistemas do órgão e acessar documentos de investigações sigilosas.

Com essas ações, o grupo também teria conseguido acesso a sistemas de investigação de organismos internacionais, como a Interpol e o FBI.

Essas evidências motivaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a decretar as prisões preventivas de Vorcaro e de outras três pessoas, cumpridas nesta quarta-feira, 4.

De acordo com os investigadores, a operação foi considerada "sofisticada" e as apurações continuam para determinar a extensão da invasão. A suspeita surgiu a partir de diálogos do banqueiro, que indicavam a contratação de hackers para realizar a invasão dos sistemas.

A técnica utilizada consistia no envio de e-mails ou outras comunicações aparentemente legítimas aos funcionários do MPF, solicitando a inserção de dados de acesso e senha do sistema interno da instituição.

Por meio desses ataques, pessoas ligadas a Vorcaro conseguiram invadir o sistema interno e obter dados dos gabinetes de diversos investigadores, chegando a acessar documentos de investigações sigilosas de interesse do banqueiro.

Em sua decisão, o ministro Mendonça detalhou o acesso da equipe de Vorcaro aos dados protegidos por sigilo institucional.

"Tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional. A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol", escreveu o ministro.

A defesa de Vorcaro afirmou que "o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça". Os advogados negam as acusações atribuídas a Vorcaro e afirmam que o banqueiro acredita que "o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta". A defesa também reiterou sua "confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições".