Política

Ratinho Júnior afirma que PSD deve definir candidato à Presidência até abril

Governador do Paraná diz que partido busca nome para liderar novo projeto nacional e critica gastos federais

04/03/2026
Ratinho Júnior afirma que PSD deve definir candidato à Presidência até abril
Ratinho Júnior afirma que PSD deve definir candidato à Presidência até abril - Foto: Reprodução

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), afirmou nesta quarta-feira, 4, que o partido pretende definir o candidato à Presidência da República até o final de março ou início de abril. O anúncio foi feito durante um almoço com banqueiros promovidos pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), onde Ratinho Júnior admitiu que seu nome está entre os discutidos internamente como possível representação da legenda na eleição presidencial.

“Eu não sou ainda candidato, estou trabalhando dentro do partido”, declarou o governador, citando também Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás, como outros nomes em avaliação pelo PSD. “A ideia é que até o final de março, início de abril isso já esteja definido para que possamos apresentar alguém que possa liderar um novo projeto”, acrescentou.

Ratinho Júnior defendeu a renovação das lideranças políticas no país, após três mandatos não consecutivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nada contra ele, mas acho que o presidente já fez a sua contribuição, já colaborou com erros e acertos, e agora chegou o momento de a gente apresentar um projeto de um novo Brasil”, afirmou.

A ABBC promoveu encontros para aproximar o setor bancário de lideranças públicas cotadas à disputa presidencial. Como parte da iniciativa, a entidade já se reuniu com os governadores Romeu Zema Neto (Minas Gerais) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Na abertura do evento, o presidente da ABBC, Leandro Vilain, destacou a importância do diálogo para enfrentar o ambiente “desafiador” do ponto de vista fiscal, político e geopolítico. Vilain criticou a polarização e o radicalismo, defendendo líderes que conduzem o país com visão de longo prazo. “Ninguém aguenta mais populismo”, disse.

O dirigente também manifestou preocupação com fatores estruturais que afetam a estabilidade econômica. “O equilíbrio fiscal é fundamental, mas não é o único fator para buscar juros condizentes com crescimento sustentável”, observou, ressaltando que forçar taxas baixas sem fundamentos econômicos sólidos é ineficaz.

Vilain pediu maior previsibilidade no ambiente de negócios, com redução de litígios e combate à chamada “litigância predatória”. Ele estimou que há cerca de R$ 65 bilhões em provisionamento cível, fiscal e trabalhista, o que impacta diretamente o custo do crédito.

Governador critica gastos federais e defende equilíbrio

Durante o evento, Ratinho Júnior defendeu uma implementação de políticas que garantam segurança jurídica e equilíbrio fiscal. Para ele, o país gasta “de forma irresponsável”, sem priorizar o desenvolvimento econômico e social.

O governador criticou os investimentos realizados para a COP30, em Belém, no ano passado. “O assunto é importante, o meio ambiente tem que ser destruído, mas foram gastos R$ 7 bilhões no evento, enquanto temos milhares de pessoas sem nenhum tipo de saneamento”, mencionou. “O Brasil não sabe eleger prioridades, especialmente o governo que está aí”, completou, em referência à gestão do presidente Lula.

Ratinho Júnior também ressaltou a necessidade de superar a polarização política. “Essa briga ideológica tem feito com que o Brasil fique andando para trás e não está garantindo o desenvolvimento”, afirmou.

Sem se apresentar como candidato à Presidência, o governador do Paraná destacou o potencial do país para assumir protagonismo em energia verde, transição energética e desenvolvimento de data centers. “Nós podemos ser a Arábia Saudita do biogás com a capacidade que nós temos. Nós podemos ser o computador do mundo”, concluiu.