Política
CPI do Crime Organizado cancela sessão após prisão de dono do Banco Master
Senador Fabiano Contarato suspende audiência que ouviria Daniel Vorcaro, detido preventivamente nesta quarta-feira (4), e recorre contra decisão do STF que anulou quebra de sigilo de empresa ligada a Dias Toffoli.
O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), cancelou a sessão prevista para esta quarta-feira (4), que teria como um dos depoentes o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso preventivamente no mesmo dia. Contarato também protocolou recurso contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou a quebra de sigilo da Maridt Participações SA, empresa pertencente ao ministro Dias Toffoli e seus irmãos.
“Protocolamos recurso para restabelecer a quebra de sigilo da Maridt Participações S.A., apontado nas investigações como o entre familiares do ministro do STF Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master”, declarou Contarato.
A quebra de sigilo foi aprovada na sessão da comissão realizada na quarta-feira da semana passada, dia 25. A CPI também determinou a quebra dos sigilos do Banco Master e da empresa Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli são sócios do ministro na Maridt, que integravam o grupo Tayayá Ribeirão Claro, proprietário do resort Tayayá, no Paraná. Segundo revelou o Estadão, o grupo vendeu suas participações no empreendimento a um fundo ligado a Vorcaro.
Na decisão, o relator do caso no STF, ministro Gilmar Mendes, afirmou que houve desvio de específica e abuso de poder na quebra de sigilo, por envolver “circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração” da CPI. Ainda de acordo com Mendes, “a imposição de medidas restritivas só se justifica juridicamente quando guardam estrito nexo de pertinência com o objeto que legitimou a criação da comissão”.
A CPI contesta a decisão. “As notícias recentes, com prisão de Vorcaro e parceiros flagrados combinando ações violentas e corrupção de agentes públicos, deixam claro o óbvio: é atuação típica de crime organizado de altíssima periculosidade e pode/deve ser objeto de atuação da CPI no Senado”, afirmou o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Contarato reforçou: "Uma medida foi aprovada de forma legítima pelos senadores da comissão. A CPI seguirá firme na missão de investigação, esclarecendo os fatos e garantindo à sociedade as respostas que ela merece".
A sessão da CPI desta quarta-feira ouviuia, além de Vorcaro, Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Ele é suspeito de atuar como operador financeiro e de ter auxiliado Vorcaro em outros crimes.
Inicialmente, Zettel não estava localizada em sua residência; sua defesa informou que ele estava viajando fora de Belo Horizonte (MG). Zettel foi entregue à Polícia Federal por volta das 9h. Com os dois presos, a sessão foi cancelada.
A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro colaborou “de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
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