Política

Relatores das CPIs do Crime e do INSS reagem à prisão de Vorcaro: 'ninguém está acima da lei'

Deputados e senadores destacam que a prisão preventiva do dono do Banco Master reforça o papel das CPIs e a necessidade de justiça igualitária.

04/03/2026
Relatores das CPIs do Crime e do INSS reagem à prisão de Vorcaro: 'ninguém está acima da lei'
- Foto: Reprodução

Os relatores das CPIs do Crime Organizado e do INSS comemoraram a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, realizada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4).

Segundo os parlamentares, a medida confirma a importância das investigações conduzidas pelas CPIs e “reforça que ninguém está acima da lei”.

"Estava de tornozeleira, mas deveria estar atrás das notas há muito tempo. (Vorcaro) Volta à prisão após ter ameaçado pessoas com quem tinha desavenças e agressões determinadas, inclusive contra jornalistas. Absurdo", afirmou o deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS.

Gaspar defendeu o fim dos “privilégios” para os mais ricos no Judiciário. "O Brasil não aguenta mais a impunidade que protege poderosos enquanto os pensionistas e pensionistas pagam a conta. Não podemos ter uma lei flexível para banqueiros e implacável para o cidadão comum", disse. "Essa nova prisão reforça que ninguém está acima da lei. O Brasil precisa virar essa página de privilégios. A justiça não pode ter nome nem saldo bancário."

A CPMI do INSS já investigou o Banco Master e havia autorizado a quebra de sigilo de Vorcaro. Na última quinta-feira (26), em decisão contestada pelo governo, a comissão também aprovou as quebras de sigilo bancário e fiscal do Banco Master relativas ao período de 2015 a 2025.

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que há relação direta entre as investigações da comissão e o escândalo do Banco Master.

“As notícias recentes, com prisão de Vorcaro e parceiros flagrados combinando ações violentas e corrupção de agentes públicos, deixam claro o óbvio: é atuação típica de crime organizado de altíssima periculosidade e pode/deve ser objeto de atuação da CPI no Senado”, declarou Vieira.

O senador referiu-se à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que na sexta-feira (27) anulou a quebra de sigilos bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos da empresa Maridt Participações, ligada ao ministro Dias Toffoli e seus irmãos. Investigações apontam uma possível ligação entre Maridt e Vorcaro.

Na decisão, Gilmar Mendes argumentou que houve desvio de finalidade e abuso de poder, pois as medidas seriam "circunstâncias desconexas ou alheias ao ato de instauração" da CPI. Segundo o ministro, “a imposição de medidas restritivas só se justifica juridicamente quando guardam estrito nexo de pertinência com o objeto que legitimou a criação da Comissão”.

A CPI, entretanto, sustenta que existe conexão entre os fatos. Ainda nesta quarta-feira, o presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a decisão do Supremo será contestada. "A medida foi aprovada de forma legítima pelos senadores da Comissão. A CPI seguirá firme na missão de investigar, esclarecendo os fatos e garantindo à sociedade as respostas que ela merece", declarou.