Política

Câmara de Palmeira dos Índios consome quase R$ 9 milhões em 2025; cada vereador custa cerca de R$ 746 mil ao ano

Redação 21/01/2026
Câmara de Palmeira dos Índios consome quase R$ 9 milhões em 2025; cada vereador custa cerca de R$ 746 mil ao ano
- Foto: Cada vereador em Palmeira custa em média dividindo o duodécimo por 15 quase R$800 mil ao contribuinte em 2025. Vale tudo isso?

A Câmara de Vereadores de Palmeira dos Índios recebeu, ao longo de 2025, R$ 8.952.156,27 em repasses do duodécimo — valor bancado integralmente pelos cofres públicos municipais. O montante chama atenção não apenas pelo volume, mas pelo contraste com a realidade financeira da cidade, marcada por dificuldades em áreas essenciais como saúde, educação, infraestrutura e pagamento de prestadores de serviço.

Dividido entre os 15 vereadores, o custo médio anual de cada edil chega a R$ 746.013,02. Em outras palavras, cada mandato na Câmara representou quase R$ 800 mil ao contribuinte palmeirense em apenas um ano. É um número que impõe questionamentos inevitáveis sobre custo-benefício, produtividade legislativa e prioridades do gasto público.

O duodécimo — mecanismo constitucional que garante autonomia financeira ao Legislativo — não é, por si só, irregular. O problema emerge quando o volume de recursos cresce em descompasso com a entrega à sociedade. Em um município que enfrenta atrasos, carências estruturais e serviços públicos pressionados, o orçamento robusto do Legislativo soa como privilégio institucionalizado.

A soma dos repasses mensais evidencia a dimensão do peso: mesmo em meses com variações pontuais, o padrão se manteve elevado, assegurando à Câmara uma receita anual milionária. Enquanto isso, cidadãos convivem com ruas esburacadas, unidades de saúde sobrecarregadas e escolas com demandas não atendidas. O contraste alimenta a percepção de que o sistema político protege a si mesmo antes de proteger a população.

A pergunta que ecoa nas ruas é simples e direta: o que a sociedade recebeu em troca desses quase R$ 9 milhões? Quantos projetos estruturantes foram aprovados? Quantas ações de fiscalização efetiva ocorreram? Quantas melhorias concretas chegaram à vida do cidadão comum?

Transparência, austeridade e eficiência deveriam ser os pilares de qualquer Poder que se sustenta com recursos públicos. Quando o custo individual de um vereador se aproxima de três quartos de milhão de reais por ano, a cobrança por resultados deixa de ser retórica e passa a ser obrigação.

Em tempos de escassez e escolhas difíceis, o duodécimo da Câmara de Palmeira dos Índios expõe um dilema maior: quem paga a conta é o povo; quem decide como gastar, a política. Cabe agora ao Legislativo demonstrar, com ações e não apenas discursos, que esse investimento milionário retorna à sociedade em forma de leis, fiscalização e melhorias reais — e não apenas em números que chocam quando colocados no papel.