Poder e Governo

Lula avalia troca nos comandos de militares e chefe do Exército pode assumir GSI em novo mandato

José Múcio deve deixar Ministério da Defesa; para o posto são cotados Cinara Wagner Fredo e Márcio Elias Rosa

Agência O Globo - 27/10/2026
Lula avalia troca nos comandos de militares e chefe do Exército pode assumir GSI em novo mandato
Lula avalia troca nos comandos de militares e chefe do Exército pode assumir GSI em novo mandato - Foto: Ton Molina/Getty Images

Entre as mudanças previstas para o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo, está a troca no comando das Forças Armadas e um possível deslocamento do comandante do Exército, general Tomás Paiva, para assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência. Após quatro anos no cargo, os atuais comandantes da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, e o próprio Tomás Paiva já sinalizaram às tropas o desejo de deixar os postos, a partir de janeiro de 2027.

O comando do Ministério da Defesa também deve mudar. O atual ministro, José Múcio Monteiro, está decidido a deixar o cargo. Múcio assumiu a pasta em janeiro de 2023, no início do governo Lula, poucos dias antes de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro atacarem as sedes dos Poderes no dia 8 de janeiro.

Ao longo do governo, Múcio chegou a entregar o cargo algumas vezes ao presidente, mas Lula o convenceu a permanecer.

Por tradição, quando há troca no comando das Forças, os nomes dos três oficiais mais antigos de cada corporação são apresentados ao presidente pelo ministro da Defesa. O inquilino do Palácio do Planalto, porém, não é obrigado a seguir as indicações. Caberá a Lula, portanto, decidir.

No Exército, o nome mais citado entre integrantes da Força para assumir o lugar de Tomás é o do general Francisco Montenegro Júnior, chefe do Estado Maior. Ele é próximo do atual comandante, mas não figura entre os três mais antigos do Alto Comando.

Por ordem de antiguidade, também são cotados os generais Luciano Guilherme Pinheiro, Kleber de Vasconcelos e Hertz Pires do Nascimento. Caso Montenegro seja indicado, os mais antigos serão transferidos para a reserva.

Já na Aeronáutica, os dois nomes mais citados são justamente os mais antigos: os brigadeiros Walcyr de Castilho Araújo, atual chefe do Estado Maior da Força, e Ary Soares Mesquita, Secretário de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica, o segundo em antiguidade.

Na Marinha, por sua vez, são cotados os almirantes Arthur Fernando Bettega, submarinista, segundo mais antigo e chefe do Estado Maior da Armada e Carlos Chagas Vianna Braga, mais antigo e atual Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais.

Segundo interlocutores, os atuais comandantes dão a missão como cumprida e entendem ser necessário seguir o processo normal, cedendo os postos aos quatro estrelas mais antigos de cada Força e escolhidos pelo presidente da República.

A expectativa é que os nomes dos indicados sejam divulgados em novembro. Desta vez, a expectativa é que a troca de comandos ocorra em janeiro, sem um cenário de incerteza e tensionamento verificado no início do atual mandato de Lula.

Após quase quatro anos de distensão, passando pelo julgamento de oficiais por uma tentativa de golpe de Estado, os comandantes devem ser remanejados para o próximo ciclo de poder sem perder de vista a blindagem erguida contra a contaminação política nos quartis.

No Ministério da Defesa, Múcio deve dar lugar a outro civil. O nome indicado por ele é o de Cinara Wagner Fredo, servidora pública de carreira e atual secretária-geral da pasta. Cinara já costuma representar o chefe em reuniões no Palácio do Planalto.

Outro nome cogitado é do atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa. Com perfil técnico e considerado habilidoso, o ministro tem conhecimento na área de Defesa. As duas pastas têm projetos em comum.