Poder e Governo
Motta e Alcolumbre intensificam articulação para reeleição no Congresso e contam com apoio de Lula
Presidente da Câmara constrói bloco, e PT se reúne nesta terça para definir posição; chefe do Senado enfrenta mais pressão diante do crescimento do PL
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), irão intensificar a ofensiva política junto aos parlamentares visando à recondução ao comando do Congresso, após a eleição presidencial. Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), espera-se que ambos consigam articular o apoio do governo nos próximos dias.
Motta e Alcolumbre se reuniram com Lula na tarde desta segunda-feira, no Palácio da Alvorada, em Brasília. Os dois estavam na capital desde domingo, onde acompanharam a apuração dos votos na residência oficial da Câmara. Após a proclamação do resultado, ambos fizeram pronunciamento à imprensa reconhecendo a vitória do petista. Os parlamentares são considerados aliados no entorno do petista, que reconhecem o papel deles em destravar votações de interesse do Palácio do Planalto nas vésperas da eleição.
Com a nova composição do Congresso a partir do próximo ano, que verá um aumento da direita bolsonarista em ambas as Casas, aliados do presidente avaliam que a recondução de Motta e Alcolumbre é vital para garantir interlocução com a cúpula do Congresso durante este quarto mandato. Ambos não seguiram a orientação de seus respectivos partidos, União Brasil e Republicanos, que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, o que poderá influenciar na indicação de aliados para a Esplanada petista.
Os presidentes estão articulando com partidos enquanto buscam individualmente apoio dos parlamentares. Entre as propostas em negociação estão gabinetes no Congresso, apartamentos funcionais, relatorias de projetos importantes, espaços em comissões, cargos na Mesa Diretora e a repartição das emendas parlamentares. Aliados de Motta e Alcolumbre acreditam que a Presidência sob Lula poderá auxiliar na reeleição deles.
Motta já conta com o apoio de 13 partidos, isolando o PL. Além de constituir um bloco partidário que lhe sustenta na Casa —formado por União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade e PRD—, ele viu o PDT, PSB e PV anunciarem apoio à sua candidatura para o próximo ano. Nesta terça-feira, a bancada do PT realizará um encontro para discutir questões internas e o apoio a Motta.
— A bancada irá definir sua posição na eleição da Mesa Diretora. Pessoalmente, vou defender o apoio ao presidente Hugo Motta. Essa disputa é crucial para a lógica interna da Câmara —afirma Rubens Pereira Júnior (PT-MA), um dos vice-presidentes do partido.
Além das articulações partidárias, Motta deverá intensificar a aproximação com os deputados, especialmente os novatos, que assumirão seus mandatos em fevereiro. Ele designou aliados para realizar essa aproximação e já recebeu alguns deles para conversas na residência oficial.
Apesar da ofensiva de Motta, a formação desse arco partidário não garante total adesão dos deputados a sua candidatura. A eleição é secreta, o que impede a verificação do voto de cada parlamentar. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), mencionado como um possível adversário de Motta, divulgou um comunicado em uma lista de transmissão no WhatsApp de um parlamentar recém-eleito pelo Podemos, que declarou que não aceita o acordo e não votará no atual presidente.
PL prioriza Senado
O PL deixou claro que sua prioridade é assumir o comando do Senado. Nesse cenário, parlamentares do partido admitem que podem negociar apoio ao Centrão na Câmara em troca de respaldo em uma candidatura ao Senado, uma negociação que se torna ainda mais complicada com a vitória de Lula.
A situação de Alcolumbre é considerada mais delicada por seus aliados. O senador enfrentou a derrota de seu grupo político no Amapá e agora é pressionado pela direita por não ter avançado com pautas relacionadas ao Judiciário, especialmente os pedidos de impeachment contra ministros da Corte. Durante a campanha, o PL exigiu que seus candidatos ao Senado já afirmassem que não votariam em Alcolumbre para a presidência da Casa, caso eleitos.
Nos bastidores, aliados de Alcolumbre falam em sua busca pela “sobrevivência” após a vitória de Lula. Um senador próximo ao presidente do Senado acredita que sua habilidade política e carisma podem atrair até oposicionistas. Ao longo dos anos, o senador construiu uma base de sustentação entre parlamentares de diversos partidos, o que pode ser vantajoso para conseguir votos dentro do PL.
A articulação de Alcolumbre para aprovar pautas do pacote eleitoral de Lula reforçou a aliança com senadores da base governista e mostrou que, mesmo com a eleição de 28 senadores do PL, que apoiam Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado, ele ainda busca manter sua influência no plenário da Casa.
Alcolumbre aposta em consolidar uma aliança com senadores de partidos do Centrão que são próximos a ele, ao PT e a outras siglas da base de Lula, como PSB e PDT, para garantir sua permanência no cargo, o que poderia resultar em uma base de 33 parlamentares.
Esse número é ligeiramente maior que os 31 senadores do PL e do Novo, que se recusam a qualquer tipo de aliança com Alcolumbre a partir do próximo ano. O cenário é desafiador para o presidente do Senado, que também disputará os votos das bancadas do PP, Republicanos, Podemos e PSDB, somando 16 parlamentares.
Adiciona-se a isso o fator do voto ser secreto, que possibilita a votação contrária de senadores do União Brasil, mesmo se forem firmados acordos com os partidos deles.
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