Poder e Governo
Salvador e São Paulo se destacam como cidades-chave para a vitória de Lula
Vantagem do presidente eleito nessas capitais representou 27,6% da diferença de votos contra Flávio Bolsonaro.
As duas cidades onde Lula (PT) conquistou suas maiores vantagens sobre Flávio Bolsonaro (PL), em números absolutos, foram as capitais envolvidas em denúncias de problemas de transporte público no dia das eleições: São Paulo (SP) e Salvador (BA). Somados, os dois municípios renderam ao presidente 5 milhões de votos, 1,5 milhão a mais que o adversário, o que corresponde a 27,6% da diferença total (5,4 milhões) em relação ao filho de Jair.
Mapa da votação: veja voto por estado e por cidade.
Virada inédita: Flávio protagoniza segunda derrota consecutiva do bolsonarismo e força direita a discutir renovação.
Em Salvador, Lula obteve 1.153.809 votos, e 732.096 a mais que Flávio Bolsonaro. Em São Paulo, foram 3.864.354 votos, resultando em 766.431 votos superiores ao adversário. Juntos, esses colégios eleitorais entregaram 5.018.163 votos para o presidente, um total 1.498.527 acima do candidato do PL.
Considerando que Lula teve 5.430.191 votos a mais que Flávio Bolsonaro, apenas São Paulo e Salvador contribuíram com 27,6% de toda a vantagem do presidente.
Fortaleza (CE), Recife (PE), São Luís (MA), Teresina (PI) e Rio de Janeiro (RJ) são outras capitais que também contribuíram para a vitória de Lula.
Por outro lado, as maiores vantagens de Flávio Bolsonaro, em números absolutos, ocorreram em Curitiba (PR), Joinville (SC), Goiânia (GO), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Manaus (AM).
Problemas de transporte não impediram vantagem de Lula.
No domingo, a ausência de ônibus nas ruas de São Paulo e Salvador causou grande preocupação entre os eleitores desde o início do dia. Em São Paulo, a controvérsia sobre a quantidade de veículos que deveria circular no segundo turno foi um ponto crítico. A prefeitura de Ricardo Nunes (MDB), apoiador de Bolsonaro, alegou que a frota prevista para o fim de semana seria suficiente, porém a Justiça Eleitoral exigiu a circulação de 100% da frota operacional dos dias úteis.
Apesar da decisão judicial, a campanha de Lula denunciou que parte dos veículos ainda estava nas garagens e solicitou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. O pedido foi negado por um juiz eleitoral, que considerou não haver elementos concretos que caracterizassem flagrante delito.
Em Salvador, o TRE-BA determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, por descumprir a ordem de restabelecer a frota. Ao menos 75 ônibus permaneceram parados na garagem no início do domingo. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) atribuiu a situação a "problemas operacionais" e à presença de adesivos eleitorais nos veículos.
Além de São Paulo e Salvador, outros casos foram apresentados pelo PT em seu pedido de prorrogação da eleição. Por fim, o ministro do STF Cristiano Zanin determinou que a votação deveria se encerrar até as 19h.
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