Poder e Governo

EUA não podem se opor a resultado eleitoral, diz Celso Amorim sobre Trump não ter se manifestado sobre vitória de Lula

Brasil manterá relações com Washington sem abrir mão da soberania nacional, afirma ex-chanceler

Agência O Globo - 26/10/2026
EUA não podem se opor a resultado eleitoral, diz Celso Amorim sobre Trump não ter se manifestado sobre vitória de Lula
Celso Amorim

Diante da ausência de uma manifestação dos Estados Unidos sobre o resultado das eleições, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que a Casa Branca não pode se opor à decisão das urnas e que o Brasil manterá relações com Washington sem abrir mão da soberania nacional.

— Não existe isso de reconhecimento de governo. A não ser que haja manifestação em contrário, isso não preocupa. O mundo todo já fez manifestação. Os EUA não podem se opor ao resultado eleitoral. O Brasil é um país independente e vai ter boas relações com os EUA, como nós queremos, mas depende também do que eles fizerem — afirmou Amorim ao GLOBO.

A avaliação ocorre em meio às tensões entre o governo brasileiro e a Casa Branca, que envolvem especialmente sanções a autoridades brasileiras e tarifas comerciais. Trump demonstrou simpatia por Flávio Bolsonaro, mas não declarou apoio explícito a nenhum dos candidatos desde o primeiro turno, mas classificou como uma “grande vitória” o desempenho do senador, que terminou à frente de Lula em 4 de outubro.

O Departamento de Estado afirmou apoiar eleições livres e justas, mas não assumiu expressamente o compromisso de respeitar o resultado das urnas, em resposta a parlamentares democratas que cobraram garantias de respeito ao processo eleitoral brasileiro.

O presidente do Chile, José Antonio Kast, telefonou para Lula para cumprimentá-lo pela vitória. Embora de direita e aliado da família Bolsonaro, Kast tem construído uma relação pragmática com o governo Lula. Também parabenizaram Lula publicamente os presidentes de direita da Bolívia, Rodrigo Paz, Paraguai, Santiago Peña, e do Panamá, José Raúl Mulino. Amorim também afirmou que o Brasil não deve se submeter a pressões externas e após a vitória de Lula, o assessor vê o Brasil como uma referência democrática na América Latina.

— Não somos colônia. Somos uma fortaleza da democracia progressista da América Latina, com democracia voltada para justiça social, dignidade e combate ao crime por meios apropriados — disse Amorim.