Poder e Governo

Coalizão entre Nordeste e grandes centros urbanos garantiu vitória de Lula no segundo turno

Dados da eleição demonstram que não houve mudança no perfil de votação do PT, mas aprofundamento da força urbana do partido

Agência O Globo - 26/10/2026
Coalizão entre Nordeste e grandes centros urbanos garantiu vitória de Lula no segundo turno
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação Instagram/ Lula @lulaoficial

A votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo para um quarto mandato como presidente, apresenta uma mudança marcante na distribuição geográfica do apoio ao PT, que reforça o peso das grandes cidades brasileiras para o partido. A vitória se deu graças à ampliação de sua votação nas maiores cidades brasileiras, apesar do movimento contrário no conjunto dos municípios de menor eleitorado. A vitória com uma margem maior se deu mesmo com o PT perdendo a liderança em centenas de cidades.

Lula passou de 47,1% dos votos válidos nas 200 cidades com maior número de eleitores para 49,57%, um crescimento de 2,4 pontos percentuais. No conjunto dos outros municípios analisados, a votação do petista caiu de 54,6% para 53,9%.

A mudança no peso das grandes cidades não significou uma alteração da geografia tradicional do voto petista. O Nordeste, região que concentra municípios de menor renda e onde programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, têm presença expressiva, continuou sendo o principal reduto eleitoral do partido. Nos municípios nordestinos analisados, Lula recebeu 69,37% dos votos válidos, praticamente o mesmo percentual de 2022, quando teve 69,34%. O petista venceu exatamente a mesma quantidade de quatro anos atrás.

Nas demais regiões, Lula ampliou sua participação de 43,9% para 44,8%, mas passou a liderar em 1101 municípios, contra 1349 em 2022. Em outras palavras, toda a perda de 248 municípios sob liderança do PT ocorreu fora do Nordeste. O contraste, entretanto, reforça que a mudança na votação de Lula ocorreu graças ao aumento da força eleitoral do partido fora de seus redutos tradicionais, com avanços concentrados nos maiores centros urbanos.

Esse avanço nas grandes cidades aparece de forma ainda mais clara nas capitais. No conjunto das 27, a participação do PT subiu de 49,7% dos votos válidos em 2022 para 52,8% em 2026, um ganho de 3,1 pontos percentuais. O número de capitais em que o candidato petista venceu a disputa local passou de 11 para 13.

Duas cidades deixam claro o aprofundamento do PT como um partido com força proporcionalmente urbana: no Rio de Janeiro, em 2022, Lula perdeu para Jair Bolsonaro por 52,66% a 47,34%. Neste ano, o cenário se inverteu: Lula teve 51,54% dos votos e venceu a disputa na capital fluminense.

Mesmo em capitais em que Lula já havia vencido em 2022, como São Paulo, ele conseguiu ampliar sua fatia. Há quatro anos, na capital paulista, o petista teve 53,54% dos votos válidos. Neste ano, sua votação foi para 55,50%. O mesmo ocorreu em Porto Alegre, onde Lula passou de 53,50% para 55,84%. Em Macapá, Jair Bolsonaro havia conquistado 54,92% dos votos em 2022. Neste ano, foi Lula quem venceu, com 50,99%.