Poder e Governo

General Janones: o comandante do 'Exército do Lula' que liderou estratégia digital

Parlamentar organizou militância na internet e nas ruas para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro

Agência O Globo - 26/10/2026
General Janones: o comandante do 'Exército do Lula' que liderou estratégia digital
General Janones: o comandante do 'Exército do Lula' que liderou estratégia digital - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O deputado federal André Janones (Rede-MG) foi o responsável pela virada digital na campanha do presidente Luiz Inácio Lula (PT), essencial para sua vitória contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo. À frente do canal de WhatsApp "Exército do Lula", Janones organizou a atuação da militância em prol do petista na arena online, onde disputou espaço com o bolsonarismo, que tradicionalmente supera a esquerda nesses meios. Popular nas redes sociais, o parlamentar é conhecido por sua trajetória política marcada pela mobilização de apoiadores em eventos como a greve dos caminhoneiros, a pandemia e a campanha presidencial de 2022.

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Criado para concentrar as orientações para a atuação online da militância pró-Lula, o canal alcançou mais de 10 milhões de seguidores. Por meio do grupo, Janones enviava diariamente "missões" aos apoiadores, que incluíam republicações de vídeos, promoção de hashtags contra Flávio e buscas por termos no Google a favor do petista. O deputado também incentivou a adesão a tendências como a postagem de fotos de votos de eleitores com a bandeira do Brasil e fazendo o "L". Na reta final, ele apostou em lives com a presença de Lula e artistas, que chegaram a se estender por até 24 horas na véspera da eleição, além de estimular a presença de manifestantes nas ruas.

Antes de iniciar sua carreira política, Janones trabalhou como cobrador de ônibus enquanto estudava Direito como bolsista. Em 2016, concorreu à prefeitura de Ituiutaba (MG), sua cidade natal, e ficou conhecido por oferecer assistência jurídica gratuita a pacientes que buscavam atendimento no SUS. Em 2022, ganhou projeção como uma das lideranças da greve dos caminhoneiros no Brasil.

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Mesmo sem ser da categoria, Janones também atualizava as pessoas sobre a paralisação por meio de lives em suas redes sociais. Sua visibilidade o levou a ser eleito para a Câmara dos Deputados em 2018, conquistando quase 179 mil votos. Em 2020, seus vídeos voltaram a viralizar durante a pandemia de Covid-19, quando ele fez uma campanha pela permanência do auxílio emergencial de R$ 600, pago pelo governo federal, então sob a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

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Dois anos depois, em 2022, Janones chegou a ser pré-candidato à presidência pelo Avante, mas desistiu para apoiar Lula, apostando em sua forte presença digital em defesa do petista. Diante de boatos que circulavam em igrejas evangélicas sobre o fechamento de templos caso a esquerda fosse reeleita, o parlamentar tomou uma série de iniciativas para combater as fake news, reafirmando que Lula "é cristão e governa para todos". Além disso, ele atuou para minimizar os efeitos eleitorais do Auxílio Brasil.

Entretanto, durante a campanha, o estilo combativo de Janones provocou preocupação entre membros da campanha de Lula, especialmente após um bate-boca durante o debate da Band com o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP). No novo governo, Janones não obteve espaço na Esplanada e permaneceu na base de Lula na Câmara. Em 2024, enfrentou um pedido de cassação por uma acusação de "rachadinha" dentro de seu gabinete, mas o caso foi arquivado pelo Conselho de Ética. No ano seguinte, o colegiado decidiu suspender seu mandato por três meses após ele se referir ao deputado federal Nikolas Ferreira como "Nikole" e "chupetinha" em um discurso na tribuna.

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Na campanha deste ano, além da produção de conteúdos direcionados para as redes, Janones acompanhou Lula em agendas em Minas e participou do debate da Band, o primeiro entre Lula e Flávio. Após o programa, ele teve um mal-estar e precisou ser internado na UTI em um hospital em São Paulo devido a um quadro de arritmia cardíaca.