Poder e Governo

Amigos desde a infância, eleitores de Lula e Bolsonaro votam juntos no Rio: 'Nos consideramos irmãos'

James da Silva e Anselmo de Souza fizeram escolhas opostas, mas defendem o respeito às diferenças políticas

Agência O Globo - 25/10/2026
Amigos desde a infância, eleitores de Lula e Bolsonaro votam juntos no Rio: 'Nos consideramos irmãos'
Amigos desde a infância, eleitores de Lula e Bolsonaro votam juntos no Rio: 'Nos consideramos irmãos' - Foto: Midia Ninja

O porteiro James da Silva, de 45 anos, e o garçom Anselmo de Souza, de 46, compartilham uma tradição: votar juntos. Neste domingo (25), não foi diferente. Por volta das 12h30, os dois compareceram ao CIEP Presidente Tancredo Neves, no Catete, para participar do segundo turno das eleições presidenciais. James votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto Anselmo escolheu Jair Bolsonaro (PL).

— Somos amigos desde criança, nossas famílias sempre se gostaram muito. Na verdade, nos consideramos irmãos — conta James.

Os dois cresceram na comunidade Cerro Corá, no Cosme Velho, mas hoje vivem em bairros diferentes: James mora em Inhaúma, e Anselmo, no Riachuelo. Apesar da mudança, mantiveram o local de votação na região do Largo do Machado, onde aproveitam os dias de eleição para reencontrar conhecidos da infância e da juventude.

Mesmo com as divergências políticas, os dois mantêm uma relação baseada no respeito às escolhas individuais.

— Vivemos a nossa amizade um dia após o outro, sempre mantendo o respeito pelas nossas escolhas. Não misturamos amizade com política, religião ou futebol. Todos têm o direito de escolha — afirma James.

Eleitor de Lula desde sempre, o porteiro explica que sua escolha está ligada à defesa dos direitos das minorias, dos trabalhadores e dos programas sociais.

— O que me motivou a votar no Lula foram os ideais, as ideologias e tudo em que acredito, além de tudo o que deve ser combatido, como a homofobia, o racismo, a transfobia, entre outros tipos de violência que afetam as minorias. Também votei para defender os direitos trabalhistas, que demoraram anos para ser conquistados, e os projetos sociais que foram implementados — explica.

Anselmo também acredita que as diferenças de opinião não devem interferir nas relações pessoais.

— As pessoas têm direito a escolher o time de futebol, a religião, o partido político. Não brigo com isso — afirma.

Para James, a relação entre os dois pode servir de exemplo em tempos de polarização.