Poder e Governo

Eduardo Bolsonaro critica urnas e sugere que Flávio deixe o país em caso de derrota para Lula

Ex-deputado federal também abordou anistia ao pai e aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023.

Agência O Globo - 23/10/2026
Eduardo Bolsonaro critica urnas e sugere que Flávio deixe o país em caso de derrota para Lula
Eduardo Bolsonaro - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Em entrevista ao podcast americano "Louder with Crowder", Eduardo Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas, defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que seu irmão, Flávio Bolsonaro, deveria deixar o país caso perca a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo. O deputado também acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política contra sua família.

O candidato do PL venceu o primeiro turno com 47,03% dos votos, enquanto o petista recebeu 45,16%.

Ao ser questionado sobre a segurança das urnas eletrônicas, Eduardo levantou a questão da ausência de comprovantes impressos dos votos e afirmou que o modelo brasileiro depende da confiança nas autoridades responsáveis pela apuração. Segundo ele, a falta de registros físicos impediriam uma recontagem independente em caso de suspeita de irregularidades.

“Não há garantia. O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, disse Eduardo, que descreveu o sistema eleitoral como centralizado e criticou decisões do STF que barraram propostas de impressão dos votos.

Ele citou uma frase atribuída ao ditador soviético Josef Stálin: “Como disse Stálin, não importa em quem você vota, a questão é quem conta os votos, esse é o problema. Então, da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve”.

Durante sua participação ao vivo no podcast apresentado pelo comentarista político Steven Crowder, o ex-deputado foi questionado por um espectador sobre o que Flávio deveria fazer caso perdesse as eleições. Primeiro, em tom de brincadeira, respondeu: "Mandar os fuzileiros navais". Em seguida, ele afirmou:

— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza.

Na entrevista, Eduardo destacou que Lula, durante o debate da Band, ameaçou o irmão:

— Teve uma parte do debate em que o Lula disse: "olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você". Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão — afirmou Eduardo ao comentarista político Steven Crowder. Em 2021, o apresentador teve seu canal no YouTube suspenso por uma semana por divulgar alegações falsas sobre a eleição presidencial dos EUA de 2020.

Anistia e críticas ao STF

Sobre seu pai, Jair Bolsonaro, e os presos pelos atos de 8 de janeiro, Eduardo defendeu uma anistia ou um perdão para os condenados. Segundo ele, uma das prioridades de um eventual governo de Flávio seria aprovar no Congresso uma medida para “virar a página” e permitir que o país avançasse para outras pautas.

Eduardo também defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, alegando que decisões judiciais teriam bloqueado projetos de infraestrutura aprovados pelo Congresso e poderiam dificultar a atuação de um futuro governo de direita.

Ex-deputado prevê contestação do resultado

Na visão de Eduardo, a oposição estaria preparando uma narrativa para contestar a legitimidade de uma eventual derrota. Ele acusou aliados de Lula de responsabilizar as plataformas digitais, como a Meta, pelo desempenho eleitoral do bolsonarismo, afirmando que, nos próximos anos, poderiam atribuir o resultado a uma suposta interferência estrangeira:

— Essa é a essência dessas pessoas: elas nunca culpam a si mesmas. Não têm capacidade de olhar para dentro e fazer uma reflexão honesta sobre si mesmas. Então querem culpar outra pessoa. Agora estão culpando a Meta. É inacreditável. Mas alguém precisa ser culpado por eles. E isso é bom, porque mostra que estão preparados para perder a eleição e já estão preparando a narrativa para os próximos quatro anos. Nos próximos quatro anos, vão dizer que estão defendendo a democracia, que a Meta e os americanos estão a favor de Flávio e que o que aconteceu em 2026 não foi democrático.

O deputado também mencionou o caso da Romênia, onde a eleição presidencial de 2024 foi anulada após acusações de interferência externa, e afirmou acreditar que uma medida semelhante seria um fracasso no Brasil diante do apoio popular ao bolsonarismo.