Poder e Governo

TSE determina derrubada de vídeo em que jovens são detidos com camisa do PT; PM é acusada de vestir suspeitos

Decisão da Ministra Estela Aranha pediu retirada de cinco posts com as imagens; decisão indica que publicações ultrapassam 'os limites da crítica político-eleitoral'

Agência O Globo - 23/10/2026
TSE determina derrubada de vídeo em que jovens são detidos com camisa do PT; PM é acusada de vestir suspeitos
Ministra Estela Aranha, relatora do processo

A ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Estela Aranha determinou que vídeos que mostram jovens detidos com camisetas de apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva fossem retirados do ar.

As publicações tinham sido postadas na quarta-feira, 23, pelos senadores eleitos Guilherme Derrite (PP) e Carlos Jordy (PL), aliados de Flávio Bolsonaro (PL), nas redes sociais. A postagem também foi republicada no canal do WhatsApp "Tropa do Flávio".

Entenda:

'Falaram para vestir':

Na decisão, a ministra indica que "a circunstância de pessoas suspeitas de envolvimento em atividade criminosa aparecerem com camisetas alusivas a determinado candidato não permite concluir que exista vínculo entre esse candidato, seu partido e as condutas investigadas, tampouco comprova a preferência eleitoral dos envolvidos". Também diz que a utilização dessas imagens como "suposta demonstração dessa relação ultrapassa, em princípio, os limites da crítica político-eleitoral, por atribuir significado factual à associação entre o candidato, sua agremiação e a criminalidade sem suporte probatório mínimo".

A decisão não contempla, ainda, relatos de testemunhas que indicam que os jovens teriam sido pelos Policiais Militares a camiseta pró-Lula. De acordo com informações do G1, um dos homens apreendidos por tráfico de drogas em Piracicaba (SP), onde o caso aconteceu, afirmou em depoimento à Polícia Civil que policiais militares mandaram que ele vestisse uma camiseta em alusão à campanha de Lula durante a abordagem.

Por volta das 15h20 desta sexta-feira, as postagens elencadas pela ministra Estela Aranha na decisão já haviam sido deletadas.