Poder e Governo

Nunes Marques aguarda resposta da Meta sobre 'Exército do Lula' e indica que pode retirar canal do ar se houver irregularidade

Plataforma tem até o fim da tarde desta sexta-feira para apresentar relatório técnico sobre eventual interferência apontada por campanha de Flávio Bolsonaro

Agência O Globo - 23/10/2026
Nunes Marques aguarda resposta da Meta sobre 'Exército do Lula' e indica que pode retirar canal do ar se houver irregularidade
Presidente do TSE, Nunes Marques - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, tem dito a interlocutores que uma eventual suspensão do canal de WhatsApp 'Exército de Lula' dependerá da identificação de alguma ilicitude. O ministro ainda aguarda as informações solicitadas à Meta, responsável pelo aplicativo, para avaliar se há motivos que justifiquem a suspensão da ferramenta às vésperas do segundo turno das eleições.

Na quinta-feira, Nunes Marques determinou que a Meta, o Google e o X apresentassem, no prazo de 24 horas, relatórios técnicos sobre uma suposta atuação coordenada nas redes sociais a partir do canal. Esse prazo termina no fim da tarde desta sexta-feira.

Nunes Marques também estabeleceu que, após o recebimento dos relatórios das empresas, as partes envolvidas e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo comum de 24 horas para se manifestar. Somente depois dessa etapa serão analisados os demais pedidos apresentados no processo.

'O TSE não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar. Os prazos dos processos de propaganda são sempre curtos. Ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidos', diz nota divulgada pela Corte após reunião com representantes na manhã desta terça-feira.

O pente-fino determinado por Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa a ferramenta administrada pelo deputado André Janones (Rede-MG) de promover ações para ampliar artificialmente a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na decisão, o ministro disse que não havia elementos suficientes para analisar as medidas solicitadas pela campanha de Flávio, entre elas a adoção de providências contra o canal. 'No estado atual dos autos, não há elementos suficientes para o exame das medidas postuladas', escreveu. Diante disso, pediu informações às plataformas.

O presidente do TSE afirmou ainda que a mobilização política de apoiadores é legítima e que a existência de ações coordenadas não representa, necessariamente, uma irregularidade eleitoral.

'A mobilização de apoiadores é lícita e somente perde proteção quando empregada para fins ilícitos', afirmou na decisão.

Entre as práticas que deverão ser examinadas pelas plataformas estão a eventual amplificação artificial de conteúdos, a manipulação de mecanismos de busca e hashtags, o uso de redes inautênticas e possíveis violações das políticas de combate à desinformação.

A campanha de Bolsonaro sustenta que o canal é utilizado para organizar ações simultâneas nas redes sociais, com divulgação de hashtags em horários determinados, comentários previamente elaborados e textos prontos para reprodução pelos seguidores.

Mesmo antes de uma decisão do TSE, a equipe jurídica da campanha de Lula já trabalha com a possibilidade de nova suspensão do canal, que chegou a sair do ar na semana passada, e discute medidas para uma reversão de eventual decisão desfavorável.