Poder e Governo

PF pede mais prazo para aprofundar investigações sobre Lulinha e Roberta Luchsinger

Solicitação foi feita dentro de dois inquéritos que apuram um suposto esquema de tráfico de influência

Agência O Globo - 20/10/2026
PF pede mais prazo para aprofundar investigações sobre Lulinha e Roberta Luchsinger
Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução Redes Sociais

A Polícia Federal solicitou a prorrogação do prazo de duas investigações envolvendo os empresários Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Roberta Luchsinger. Os inquéritos investigam um suposto esquema de tráfico de influência. Segundo as apurações, Roberta e o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuaram na intermediação de contratos com o poder público. Ambos negam ter cometido qualquer irregularidade.

O pedido foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que é o relator dos dois inquéritos na Corte. Adicionalmente, existe uma terceira investigação envolvendo a dupla, atualmente sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

A PF também requisitou à sua equipe técnica que detalhe os vínculos societários de Lulinha, suas movimentações bancárias e o registro de agendas dele e de outros alvos em órgãos públicos. A informação foi inicialmente revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO. Os investigadores solicitaram ainda o levantamento de viagens realizadas pelos dois e outros investigados, tanto no Brasil quanto no exterior.

“Foram determinadas diversas diligências em prol da investigação, as quais ainda pendem de conclusão, notadamente em razão do exíguo lapso temporal transcorrido desde sua determinação. Mostra-se, portanto, necessária a dilação do prazo para a conclusão das diligências em curso”, diz um trecho do ofício da PF.

O pedido dos investigadores foi feito no início de outubro, quando expirou o prazo inicial de 60 dias.

Procuradas, as defesas de Lulinha e Roberta ainda não se manifestaram.

No último sábado, Roberta concedeu uma entrevista à CNN, onde afirmou que Lulinha se reunia “semanalmente” com ministros do governo e que ela tem a intenção de realizar uma delação premiada. Ex-apoiadora do presidente e ex-amiga de seu filho, Roberta expressou indignação por ter se tornado “boi de piranha”, segundo suas palavras, nas investigações sobre tráfico de influência conduzidas pela PF.

— Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário.