Poder e Governo

PF faz operação que mira em ex-servidor do STJ suspeito de passar informações a advogado amigo de Flávio Bolsonaro

Investigação aberta pela polícia envolve candidato à Presidência e o advogado Willer Tomaz

Agência O Globo - 19/10/2026
PF faz operação que mira em ex-servidor do STJ suspeito de passar informações a advogado amigo de Flávio Bolsonaro
PF faz operação que mira em ex-servidor do STJ suspeito de passar informações a advogado amigo de Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) realiza nesta segunda-feira buscas no escritório do ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida ocorre no âmbito da mesma investigação que envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz.

Humberto Pradera foi exonerado do STJ na última sexta-feira, após vir à tona uma investigação sobre o suposto vazamento de informações do tribunal para Tomaz. Segundo relatório da PF, o escritório do advogado teria recebido antecipadamente minutas de decisões do STJ e pareceres do Ministério Público Federal (MPF), antes de sua publicação.

Willer Tomaz é conhecido em Brasília pelo trânsito entre políticos de diferentes grupos e pela amizade com o senador Flávio Bolsonaro. Ele nega ter obtido qualquer acesso irregular a decisões judiciais ou ter interferido no conteúdo de manifestações do Ministério Público Federal. O advogado afirma que as insinuações feitas contra ele são “falsas” e que desconhece o relatório citado da PF.

“O advogado Willer Tomaz nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. As insinuações são falsas, configuram desinformação e revelam desconhecimento elementar, ou deliberada distorção, do funcionamento dos tribunais”, disse em nota.

O advogado argumenta ainda que o conhecimento antecipado de julgados não é crime, mas sim uma “funcionalidade prevista no próprio sistema da Corte”.

“Tampouco há ilícito quando um procurador, convencido pelos memoriais apresentados, incorpora seus argumentos ao parecer. Isso é contraditório, e converter rotina processual em suspeita é criminalizar a advocacia. A defesa desconhece o relatório citado e repudia sua divulgação seletiva, em plena campanha eleitoral, com menções a terceiros alheios aos fatos investigados. Ilegal, este sim, é o vazamento de material sigiloso, cujos autores serão identificados e responsabilizados”.

O GLOBO não localizou Humberto Pradera. Ao portal UOL, ele afirmou não ter acesso a processos em andamento e declarou que não havia sido informado de sua exoneração.

O STJ informou que o presidente da Corte, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos e que um procedimento interno para apuração já havia sido instaurado na semana passada. O tribunal afirmou que o servidor foi exonerado nesta sexta-feira (16), já que não era concursado.

“As medidas criminais estão em andamento e são sigilosas, e sobre elas o Tribunal não vai se manifestar”, afirmou o STJ.