Poder e Governo
Sem bandeiras de outros países: organização de ato de Flávio na Paulista pede que apoiadores escondam bandeiras de EUA e Israel
Além do candidato do PL, participam do ato, batizado de 'Bloco 22', aliados como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato
Embalados por versões de funks famosos com letras que marcam posições contra a esquerda, os apoiadores do candidato à Presidência da República (PL) se concentram, na manhã deste domingo (18), em duas quadras da Avenida Paulista, em um ato que é menor que o da semana passada, que reuniu eleitores do presidente.
Além de Flávio, o governador (Republicanos), o deputado federal (PL-MG) e o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) também devem andar em carro aberto pela avenida e discursar.
A maioria do público veste camisas da seleção brasileira e empunha bandeiras com o número de urna do candidato do PL. Também se destacam bandeiras que misturavam os símbolos dos Estados Unidos e do Brasil, além de Israel, e vendedores ambulantes oferecem bonés do presidente americano Donald Trump. A organização do ato pediu que o público abaixasse bandeiras de outros países antes do início dos discursos. "Hoje é a nação brasileira, queria pedir para que bandeiras de outros países fossem recolhidas", disse um membro da organização do carro de som principal.
Espalhadas entre o número 1800 da avenida e o Masp, caixas de som retransmitem as falas do carro principal, que está estacionado no cruzamento da Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo e deve seguir até o museu. Batizada de "Bloco 22", a manifestação tem clima de bloquinho de carnaval tranquilo. O objetivo dos organizadores era esse mesmo. Os chamados "bloquinhos" foram puxados por Nikolas Ferreira ainda no primeiro turno e são embalados por jingles contra o PT.
Os carros de som tocam versões de hits do axé e do funk. Um exemplo é o funk "Nova Geração" ("Eu sou o Jonathan da Nova Geração"), cujo refrão modificado insta os presentes a pular e dançar. “Quem ficar parado é petista disfarçado” e “fora, PT, aqui não é seu lugar“ estão entre os versos mais cantados pelo público. Jingles da campanha de aliados de Flávio também embalam os manifestantes, como "Nikolas Ferreira bota a esquerda pra correr" e "Ô Tarcísio, Tarcísio".
No sábado (17), o senador esteve pela manhã no Espírito Santo ao lado do candidato ao governo capixaba Lorenzo Pazolini (Republicanos) e do senador Magno Malta (PL). No mesmo dia, o Bloco do 22 também foi realizado em Salvador, na Bahia, durante a tarde.
Na noite deste domingo, Flávio participa do debate entre os presidenciáveis realizado pela Rede Bandeirantes em parceria com Estadão, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan. O presidente Lula também confirmou presença e este será o primeiro enfrentamento direto entre os dois candidatos desde o início da campanha eleitoral.
Esquerda nas ruas
Lula (PT) participou de um ato na Paulista no último domingo (11), acompanhado de lideranças como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato derrotado do PT ao governo paulista, as ex-ministras (PSB) e (Rede) e o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
Inicialmente, o ato era organizado pela União Nacional do Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos universitários, que se mobilizaram espontaneamente após o resultado do primeiro turno. Ao longo da semana, ganhou a adesão de movimentos organizados da esquerda. Lula confirmou a presença apenas na véspera, quando estava claro que a mobilização seria grande.
As fotos aéreas mostram que o público ocupou diversos quarteirões da avenida. A ONG More in Common, que costuma estimar a contagem de grandes concentrações na Paulista, não divulgou dados porque não teve autorização para fotografar a região com drones.
Antes de discursar, Lula apresentou à multidão da Paulista os governadores petistas reeleitos no nordeste no primeiro turno. Discursaram antes do presidente, da Bahia, Rafael Fonteles, do Piauí e, do Ceará. Ao se dirigir ao público, Lula pediu foco na conversa com os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Parte dos manifestantes empunhava cartazes e imagens de Nossa Senhora de Aparecida, que virou motivo de embate durante a campanha eleitoral após a divulgação de um projeto de lei, arquivado há quase 20 anos, cujo objetivo de retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Também se destacavam bandeiras de legendas como PSTU, UP, PSB e faixas em apoio a pautas associadas ao petista, como o fim da escala 6x1 e o Bolsa Família.
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