Poder e Governo

Nova coordenação de campanha incentivou guinada de Lula sobre maioridade penal

Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles já defendem publicamente um enfrentamento mais duro do PT no tema da segurança pública

Agência O Globo - 16/10/2026
Nova coordenação de campanha incentivou guinada de Lula sobre maioridade penal
Camilo Santana - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A nova coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou o petista a dar uma guinada no discurso sobre a redução da maioridade penal para crimes hediondos. Os ex-ministros Camilo Santana (Educação) e Rui Costa (Casa Civil), além do governador do Piauí, Rafael Fonteles, tiveram influência no posicionamento de Lula, segundo interlocutores. O trio já defende publicamente um enfrentamento mais duro do PT no tema da segurança pública e ganhou voz na definição da estratégia para o segundo turno.

Havia consenso quanto à necessidade de Lula fazer um aceno a eleitores de centro e de direita, defendendo a redução da maioridade para 16 anos em caso de crimes graves. De férias da Secretaria de Comunicação Social (Secom) para cuidar da campanha, Sidônio Palmeira também era favorável à mudança no momento em que Lula busca uma virada nas urnas em relação a Flávio Bolsonaro (PL). A campanha passou por uma reformulação após o presidente terminar o primeiro turno atrás do adversário.

Houve divisão sobre se o tema deveria ser tratado junto com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, já em andamento no Senado, ou separadamente. Camilo Santana apresentou uma emenda à PEC propondo diminuir a maioridade para 16 anos, no caso de crimes hediondos. A iniciativa buscava contrabalançar um projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, que defende a redução para 16 anos na maior parte dos crimes e para 14 anos em crimes hediondos.

O tema, no entanto, dividiu a base do governo no Senado. Lula também manifestou preferência por não debater os assuntos em conjunto. O impasse fez o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), adiar a votação da PEC da Segurança.

Em entrevista ao Jornal Nacional, Lula disse ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos, uma mudança em relação à sua posição histórica. O presidente afirmou ser contra ao projeto que trata de 14 anos.

— Em todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade penal (...) Eu acho que a sociedade brasileira inteira é a favor — disse Lula.

A discussão sobre a redução da maioridade penal sempre foi considerada complexa para Lula, devido à contrariedade de alas do PT em relação à mudança frente ao desejo da sociedade de um aumento na punição de criminosos. No entanto, Lula vem ensaiando uma inflexão no discurso sobre segurança pública desde o primeiro semestre deste ano.

Inicialmente, focou sua fala em tom mais punitivista para agressores de mulheres, com declarações mais veementes direcionadas a pedófilos, integrantes de facções e agressores, tentando afastar a imagem de benevolência da esquerda com o crime. No segundo turno da campanha, passou a usar o lema: “Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão”.