Poder e Governo

Ex-vice de Bolsonaro, Mourão dá o único voto contra o fim da escala 6x1 no Senado

Proposta foi aprovada em dois turnos com 75 votos a favor, um contrário e cinco ausências

Agência O Globo - 15/10/2026
Ex-vice de Bolsonaro, Mourão dá o único voto contra o fim da escala 6x1 no Senado
Ex-vice de Bolsonaro, Mourão dá o único voto contra o fim da escala 6x1 no Senado

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada na noite desta quarta-feira, com 75 votos a favor e apenas um contrário, em dois turnos. O único parlamentar a se posicionar em oposição à pauta foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que se somou à abstenção do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que usualmente não se posiciona em sessões do gênero, além de cinco ausências.

Escala 6x1:

Servidor, MEI e trabalhadores de serviços essenciais:

Mourão foi vice-presidente durante a passagem de Jair Bolsonaro (PL) pelo Planalto, entre 2019 e 2022. Durante a gestão do ex-mandatário, porém, acumulou rusgas com o bolsonarismo, o que o levou a ser rifado do posto na disputa pela reeleição, sendo substituído pelo também general Braga Netto.

Filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) mudou de posição às vésperas da votação e votou a favor da redução de jornada. A pauta é uma das apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa do segundo turno, após ficar atrás do próprio Flávio no primeiro domingo de outubro.

Fim da escala 6x1:

A decisão de Flávio foi anunciada na terça-feira, após uma visita ao pai, e representou uma mudança em relação ao discurso adotado pelo candidato desde o início da tramitação da PEC. Até então, o senador evitava assumir um compromisso com a aprovação da medida, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece dois dias de descanso e proíbe a redução salarial.

— A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6x1. Só que a gente defende algo ainda melhor — afirmou Flávio na terça-feira.

Fim do 6x1:

A mudança ocorreu a menos de duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e depois de o tema ganhar espaço na disputa entre os dois candidatos. Lula passou a cobrar publicamente uma posição do adversário, enquanto integrantes da oposição tentavam adiar a votação para depois das eleições, sob o argumento de que a proposta estava sendo usada eleitoralmente pelo governo.