Poder e Governo
Fim da escala 6x1: campanha de Lula orienta aliados a usarem votação no Senado para explorar contradições de Flávio Bolsonaro e PL
Aprovação da PEC é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada inédita e vencer Flávio no segundo turno da eleição presidencial
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou parlamentares aliados a usarem a votação do fim da escala 6x1 no Senado, nesta quarta-feira, para explorar o recuo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o tema.
Após se posicionar contra o projeto ao longo da campanha eleitoral, o presidenciável afirmou na terça-feira que votará a favor do texto que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
A aprovação do fim da escala 6x1 é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada inédita e vencer Flávio no segundo turno da eleição presidencial, marcada para dia 25 de outubro.
Em reunião com partidos aliados na terça-feira, o presidente do PT, Edinho Silva, pediu atenção de senadores e deputados para não permitir que o bolsonarismo inverta a narrativa sobre a pauta e busque faturar politicamente, a exemplo do que ocorreu quando o texto foi votado na Câmara dos Deputados, em maio. Na época, o PL apresentou um texto propondo escala 4x3 ao identificar que o fim da 6x1 seria aprovado na Casa.
Na avaliação de governistas, é provável que o grupo de Flávio tente algum ganho político, às vésperas do segundo turno, sobre um projeto que foi apoiado pelo governo.
Por isso, o pedido é que, especialmente, os senadores explorem ao longo do dia as contradições de Flávio sobre a PEC e pontuem que ele mudou de opinião agora por "oportunismo eleitoral", seja na gravação de vídeos ou em entrevistas.
Dentre as estratégias, está o resgate de falas públicas de Flávio sobre o fim da 6x1. Em maio, por exemplo, o senador classificou a iniciativa como "inoportuna e eleitoreira", apontou uma "grande carga de hipocrisia" na discussão e alertou para o risco de "desemprego em massa". Já no final de agosto, Flávio passou a defender que o trabalhador tenha jornada flexível e negocie sua própria carga horária:
— Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar — disse.
A campanha passará o dia reforçando que esse projeto é de Lula e que melhorará a qualidade de vida dos trabalhadores. Aliados do presidente consideram positivo o fato de Flávio cumprir agenda de campanha em Porto Alegre e não estar no plenário do Senado para a votação. Se for votar, o fará de forma remota. Esse mesmo grupo considera importante que Lula faça gestos diretos em relação ao Senado, embora integrantes da campanha avaliem como difícil a ida dele ao plenário do Senado.
Estavam presentes na reunião com Edinho Silva dirigentes do PSB, PCdoB e PSOL, e ex-ministros de Lula que representam o Centrão, como o senador eleito André Fufuca (PP-MA) e os deputados reeleitos Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e Juscelino Filho (PSDB-MA). Do MDB, participaram representantes da ala lulista, entre os quais os senadores Renan Filho (AL), Veneziano do Rêgo (PB), Jader Barbalho (PA) e Marcelo Castro (PI).
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