Poder e Governo
PF e PGR negam que Vorcaro tenha falado que financiou documentário sobre o presidente Lula
Manifestações ocorreram após a revista Veja publicar que o ex-banqueiro disse, em áudio, ter bancado o longa do diretor Oliver Stone
A Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa de Daniel Vorcaro negaram nesta sexta-feira que o dono do Banco Master tenha mencionado ou apresentado documento sobre um suposto financiamento a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao prestar depoimento na tentativa de firmar uma delação premiada. Os posicionamentos foram divulgados após a revista Veja publicar que Vorcaro afirmou, em áudio, ter bancado o filme “Lula”, do diretor Oliver Stone.
A reportagem afirma que o material foi anexado à proposta de delação do dono do Banco Master. A PF disse, em nota, que “Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”.
Sem requisitos legais
Segundo a corporação, as propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa de Vorcaro “não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa”. Já a PGR disse que “as tratativas de colaboração premiada envolvendo Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado”.
“Todas as propostas formalizadas pela Defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR. Não houve depoimento oral do Sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa”, afirmou a Procuradoria, em nota.
A defesa de Vorcaro também disse que o ex-banqueiro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada. Ao jornal Folha de S. Paulo, os advogados não confirmaram o conteúdo da reportagem e repudiaram a “divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada”.
A PF rejeitou duas propostas de delação premiada apresentadas por Vorcaro em maio e junho deste ano. A corporação considerou que o material não trazia novidades ao que já havia sido mapeado pelas investigações, além de não trazer elementos de provas, que são essenciais para os acordos de colaboração. A PGR seguiu a mesma orientação.
Pivô de um dos maiores escândalos financeiros do país, Vorcaro está preso desde março. Em junho, ele foi transferido para a carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.
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