Poder e Governo

Valdemar admite articulação por golpe no fim do governo Bolsonaro e se irrita com pergunta sobre Flávio 'tentar de novo'

'Sei lá, sei lá', respondeu presidente do PL ao ser questionado em entrevista sobre a possibilidade do correligionário repetir os movimentos do pai

Agência O Globo - 07/10/2026
Valdemar admite articulação por golpe no fim do governo Bolsonaro e se irrita com pergunta sobre Flávio 'tentar de novo'
Valdemar Costa Neto - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Durante o programa Timeline</strong da Rádio Gaúcha nesta quarta-feira, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, defendeu a anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de Janeiro, argumentando que o planejamento de golpe não deveria ser considerado crime. Irritado com as perguntas sobre o tema, Valdemar respondeu com um 'sei lá' ao ser questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, repetir movimentos semelhantes no futuro. Em seguida, porém, ele afirmou categoricamente que 'nunca, jamais' isso seria cogitado, especialmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Otimismo pela Anistia

Valdemar demonstrou otimismo quanto à chance de Jair Bolsonaro ser anistiado e deixar a prisão domiciliar em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após liderar o petista no primeiro. O dirigente partidário reiterou que o ex-presidente não ocuparia cargo algum em uma gestão Flávio, mas que participaria informalmente.

Ao mencionar a promessa de anistia para todos os condenados por golpe de Estado, Valdemar explicou que a intenção é 'soltar todos os militares que estão presos injustamente', alegando que o planejamento golpista não deveria ser tratado como crime.

— A lei diz que você pode planejar um assassinato, mas se você não assassinou a pessoa e não tentou, não é crime — afirmou o presidente do PL, enquanto respondia aos entrevistadores sobre os eventos de 8 de Janeiro. — Tudo bem, discutiram dar o golpe, mas não o deram. E daí?

O jornalista Paulo Germano, apresentador do Timeline, questionou Valdemar se ele reconhecia que houve, de fato, um 'planejamento' de golpe. Costa Neto respondeu afirmativamente:

— Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois dá errado e para no meio? — pontuou.

Germano, então, perguntou: 'Quem nos garante que esse planejamento não ocorrerá de novo em um eventual governo Flávio Bolsonaro? O senhor acha que podem tentar de novo?'

Visivelmente irritado com a insistência no assunto, Valdemar respondeu:

— Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, mas não existe isso. Olha o que Bolsonaro está passando! Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais — disse o presidente do PL, encerrando o tema.

Até hoje, 1.402 pessoas foram condenadas por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe. Desse total, 29 integram os núcleos principais do planejamento, como Jair Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, Augusto Heleno, ex-chefe do GSI, e Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin.

O chamado plano 'Punhal Verde e Amarelo', localizado pela Polícia Federal durante as investigações, previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Segundo a investigação, militares das Forças Especiais chegaram a monitorar Moraes e, em 15 de dezembro de 2022, realizaram uma ação para avaliar a possibilidade de prender ou assassinar Alexandre de Moraes.

O objetivo da trama golpista, conforme a investigação, era criar uma justificativa para impedir a posse de Lula e reverter o resultado eleitoral de 2022.

Sobre a participação de Jair Bolsonaro no governo

Outro ponto abordado na entrevista do Timeline foi a possibilidade de Jair Bolsonaro, após ser anistiado, receber um cargo em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Valdemar Costa Neto afirmou que o pai do senador não teria um cargo formal, mas participaria de forma informal.

— Bolsonaro logicamente vai opinar no governo, não tenho dúvida disso, mas não vai fazer parte do governo — respondeu.

Brasil e Mudanças na Constituição

Os entrevistadores também questionaram o dirigente sobre as falas de Flávio Bolsonaro em uma agenda ao lado de Ronaldo Caiado (PSD) nesta terça-feira, quando o presidenciável declarou que pretenderia promover mudanças na Constituição. Valdemar justificou que a preocupação de Flávio é com a 'parte tributária', o excesso de impostos e ministérios no Brasil, questões que não dependem de alterações constitucionais para serem resolvidas.

Em seguida, Valdemar citou a promessa de acabar com a reeleição como uma das medidas do pacote de 'mudanças na Constituição'.

— Ele quer acabar com a reeleição — afirmou Valdemar Costa Neto, que, segundo ele, a eleição já está definida. — Não tem erro.

Impeachment de ministros do STF

Sobre as propostas de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que foram base de campanha de diversos senadores eleitos pelo PL e do próprio Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto evitou garantir que isso aconteceria, reiterando que esse assunto precisa ser debatido no Congresso. Como a coluna da Malu Gaspar revelou, já há pelo menos 49 senadores que defendem a pauta.

— Isso precisa ser discutido. O ideal para nós era que o Supremo resolvesse os problemas internamente, mas é um tema que terá uma grande discussão. Não vamos resolver nada com brigas, na minha opinião. Temos que ser hábeis para levar o país adiante. Se brigarmos com o Supremo e o Legislativo, isso atrasa o país.

Participação de Michele Bolsonaro no segundo turno

Eleita senadora pelo Distrito Federal, Michele Bolsonaro (PL) terá um papel ativo na campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, conforme afirmou Valdemar Costa Neto, que a elogiou como 'craque'.

— Agora ela pode percorrer o Brasil durante este período e trabalhar para o Flávio de verdade. Ela tem muito talento e faz falta em todos os lugares. É uma craque.