Poder e Governo
Guilherme Derrite e André do Prado são eleitos para o Senado por São Paulo
Ex-ministras de Lula, Simone Tebet e Marina Silva foram derrotadas
O Estado de São Paulo elegeu Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado. Neste domingo, Derrite recebeu 11,9 milhões de votos, enquanto Prado obteve 11,4 milhões, com 90% das urnas apuradas.
Um total de 14 candidatos disputou as duas vagas ao Senado. A terceira colocação ficou com Simone Tebet (PSB), que alcançou 7,4 milhões de votos, seguida por Marina Silva (Rede), com 7 milhões.
Eleitores relataram filas e demoras na votação no Rio.
Ex-ministras do Planejamento e do Meio Ambiente do governo Lula, Tebet e Marina eram consideradas favoritas e lideraram as pesquisas até a véspera da eleição. A chapa petista acreditava que a popularidade das candidatas, vistas como capazes de dialogar com o centro e ganhar o voto da classe média, garantiria suas vitórias. Entretanto, as duas foram superadas pela estrutura do governo estadual.
O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) se engajou intensamente na disputa pelo Senado. Ele esteve frequentemente ao lado de seus aliados durante o Horário Eleitoral Gratuito e fez esforços significativos para apresentar seus candidatos ao eleitorado paulista. A desistência de Ricardo Salles (Novo), que também concorria ao Senado, na última segunda-feira (28), impulsionou o sucesso da chapa bolsonarista e resultou na derrota das candidatas da chapa lulista.
A dedicação do governador e dos prefeitos do interior foi crucial para impulsionar as candidaturas da direita, especialmente a de Prado, que era relativamente desconhecido. Deputado estadual desde 2010, Prado apresentou-se como o braço direito de Tarcísio na Assembleia Legislativa do Estado. Antes, ele foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Guararema, na Grande São Paulo. Com o apoio de Tarcísio, assumiu a presidência da Alesp em 2023.
Prado conquistou a vaga após a saída de Eduardo Bolsonaro da disputa, que se mudou para os Estados Unidos. Durante meses, houve articulações para definir quem receberia o apoio da família Bolsonaro para a candidatura ao cargo. Além de Salles, Mário Frias (PL-SP) também foi cogitado, mas Tarcísio apostou em André do Prado, a quem credita grande parte de sua articulação política no estado.
Por sua vez, Derrite aproveitou sua ligação com a pauta de Segurança Pública para fortalecer sua campanha. Ex-PM, o senador eleito foi parte das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), batalhão de elite da Polícia Militar, e havia sido eleito deputado em 2018 e 2022, além de ter comandado a Secretaria de Segurança Pública durante a gestão de Tarcísio.
Derrite deixou o cargo em dezembro de 2025 e retornou à Câmara dos Deputados para relatar o PL Antifacção. Ele iniciou sua campanha com o apoio formal de Tarcísio, embora sem um engajamento efetivo do governador em favor de sua candidatura. A partir de 2027, Derrite e Prado ocuparão cadeiras no Senado por oito anos, substituindo Mara Gabrilli (PSD) e Giordano (Pode). O terceiro senador de São Paulo, Astronauta Marcos Pontes (PL), foi eleito em 2022 e permanecerá no cargo até 2030.
A disputa pelo Senado era considerada prioritária tanto pela direita quanto pela esquerda, intensificando-se em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Os senadores são os únicos responsáveis por solicitar investigações e processos de impeachment de membros da Corte.
Na ala esquerda, o presidente Lula (PT), que busca a reeleição, desejava assegurar um Senado forte que lhe garantisse governabilidade em caso de um quarto mandato, especialmente por ter enfrentado dificuldades com o legislativo em temas sensíveis, como a votação do projeto que barra a escala 6x1 e na rejeição de Jorge Messias ao Supremo — um fato inédito na história em que uma indicação presidencial à Corte foi negada.
Na direita, Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados reforçaram a necessidade de garantir uma maioria no Senado para viabilizar processos de impeachment de ministros do STF, principalmente contra Alexandre de Moraes, considerado um adversário do clã Bolsonaro.
Ricardo Salles apareceu como candidato nas urnas de SP, apesar de já ter desistido da corrida, pois a lei eleitoral exige que a substituição ou retirada de candidatos seja feita até 20 dias antes da eleição. A data limite para o primeiro turno de 2026 foi 14 de setembro. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) homologou a renúncia de Salles na última sexta-feira, e, portanto, os votos por ele recebidos serão considerados nulos.
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