Poder e Governo

Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é eleita senadora no Distrito Federal

Candidata foi ativo estratégico do PL para atrair eleitorado feminino e evangélico

Agência O Globo - 04/10/2026
Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é eleita senadora no Distrito Federal
Michelle Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi eleita senadora pelo Distrito Federal neste domingo, marcando sua primeira experiência em um cargo eletivo. A confirmação ocorreu por volta das 18h32, quando a candidata somava 28,98% dos votos.

Entenda:

Pesquisa de boca de urna:

Durante a campanha, Michelle revelou que decidiu buscar a cadeira na Casa Legislativa após receber uma "missão" do marido, Jair Bolsonaro (PL), que está em casa cumprindo pena de prisão por sua participação na trama golpista de 8 de janeiro de 2023. Ela prometeu se engajar em causas que "tocam seu coração", como os direitos das mulheres e das pessoas com deficiência, além de alinhar-se a agendas da direita, como a libertação do ex-presidente e de "injustiçados" condenados pelos eventos de 8 de janeiro, bem como críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Considerada um ativo estratégico para aumentar a bancada do PL no Senado Federal e de olho na abertura de processos de impeachment de ministros do STF, Michelle deu apoio, ainda que de forma tímida, à campanha do enteado Flávio Bolsonaro (PL). Aliados do senador insinuaram que ela se sentiu incomodada por ter sido preterida na escolha do marido para a corrida presidencial. Relatos de desavenças na família frequentemente vieram à tona.

Em junho, durante a Copa do Mundo, Michelle publicou um vídeo onde acusava o candidato do PL à Presidência de desrespeitá-la e maltratá-la. A madrasta afirmou que Flávio a tratou com rispidez ao telefone e sugeriu que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por não entender de política. Essa publicação dividiu o bolsonarismo e colocou em dúvida a participação de Michelle na campanha presidencial do PL, especialmente no que se referia à conquista do apoio dos evangélicos e do eleitorado feminino, que historicamente resiste a Jair Bolsonaro.

Por trás do racha público estava a aliança política do PL com o candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Michelle expressou surpresa ao ver publicações do senador defendendo essa aliança e afirmou que ele e os irmãos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, atacaram-a de forma coordenada, sem antes consultá-la. Ela criticou os ataques de Ciro ao seu marido e se opôs à aliança, defendendo apoio formal ao aliado Eduardo Girão (Novo), que mais tarde foi anunciado como vice na chapa de Romeu Zema (Novo) à Presidência.

Michelle tentou ainda promover uma de suas principais aliadas no PL, Priscila Costa, sua vice no comando do PL Mulher, na disputa pelo Senado. O chefe do diretório estadual da sigla, André Fernandes, desautorizou a ex-primeira-dama, mantendo o respaldo à candidatura de seu pai, Alcides Fernandes.

Nos dias seguintes à publicação do vídeo, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, deixando implícito que poderia desistir de sua candidatura e se dedicar aos cuidados do marido. Com o desgaste provocado pelo vídeo, lideranças bolsonaristas trabalharam para amenizar a tensão, e Flávio Bolsonaro pediu desculpas antes de convidar a madrasta a participar da campanha. Embora não tenha comparecido ao lançamento da corrida presidencial nem ao ato de 7 de setembro, ela pediu votos para ele.

Nos últimos meses, Michelle lançou o movimento "As Imparáveis". Em uma conta no Instagram, ela fez acenos ao eleitorado feminino com mensagens de empoderamento e disparou indiretas contra aqueles que a atacavam com "metralhadora de mentiras". Durante a campanha, Michelle ainda reclamou que suas atividades estavam limitadas pelos vetos de Moraes a outras visitas ao pai, antes que o ministro do STF autorizasse a presença do ex-presidente em casa com ela fora.

O apoio de Michelle se tornou um ativo valioso na disputa por vagas no Senado. No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL) tentaram se posicionar como representantes do eleitorado ligado à família Bolsonaro.