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PF marca depoimentos de Galípolo e Campos Neto em investigação sobre Banco Master

Atual e ex-presidente do Banco Central serão ouvidos como testemunhas na Operação Compliance Zero

Agência O Globo - 02/10/2026
PF marca depoimentos de Galípolo e Campos Neto em investigação sobre Banco Master
PF marca depoimentos de Galípolo e Campos Neto em investigação sobre Banco Master - Foto: © Foto / Saulo Cruz / Agência Senado

A Polícia Federal agendou para a próxima semana os depoimentos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de seu antecessor, Roberto Campos Neto. Também prestará depoimento o presidente do Conselho de Administração do BTG Pactual, André Esteves. Os três serão ouvidos como testemunhas na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

O atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também foi convocado. Os quatro tiveram seus nomes citados durante o depoimento do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza, que é investigado por suspeita de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro para beneficiar o Banco Master. Souza nega as irregularidades.

O ex-dirigente é um dos principais alvos do inquérito que investiga se ex-servidores do BC prestaram consultoria informal a Vorcaro em troca de vantagens financeiras.

Como o inquérito está prestes a ser concluído, é praxe que a PF ouça os investigados e pessoas citadas antes de elaborar a lista final de indiciados. Vorcaro, por exemplo, prestou depoimento no dia 28 de agosto.

Na ocasião, o banqueiro afirmou que o ex-servidor não favoreceu o Master nos processos do BC, mas admitiu ter feito um "agrado" ao prestar apoio em uma viagem da família dele à Disney, nos Estados Unidos.

A previsão é que Esteves preste depoimento na próxima segunda-feira, Galípolo na terça-feira e Campos Neto na quarta-feira. A informação foi publicada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO.

Em interrogatório à PF, Paulo Sérgio Souza afirmou que, antes de o Master ser liquidado pelo Banco Central, houve tratativas sobre supostas irregularidades cometidas pelo banco com Galípolo e Aquino. Ele também relatou que, no fim de 2024, o BTG havia comunicado a descoberta de uma fraud bilionária praticada pelo Master em uma reunião com a presença de Campos Neto.

Souza, que era diretor de Fiscalização do BC, foi afastado do cargo por decisão do STF. Sua defesa tenta demonstrar aos investigadores que ele não favoreceu o Master nos processos do Banco Central.

Além da investigação da PF, Souza e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, também foram alvos de uma investigação interna para apurar suas atuações no caso do Banco Master. A sindicância foi iniciada a partir de uma decisão de Galípolo, tomada no fim do ano passado, conforme revelado pelo GLOBO em janeiro deste ano. As informações encontradas foram encaminhadas à PF.

Souza foi o responsável por autorizar a compra do Banco Máxima, que passou a se chamar Master, por Daniel Vorcaro. Mais recentemente, atuava como chefe-adjunto do Desup e era responsável por acompanhar a solidez e a estabilidade do mercado financeiro.

Belline chegou a ser cotado para substituir Souza na diretoria de Fiscalização, hoje ocupada por Ailton de Aquino. Belline assinou diversos ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal relativos ao Master.