Poder e Governo
Lula investe em Rio, São Paulo e Minas para seduzir indecisos
Mobilização será combinada com o movimento '48 horas com Lula' para intensificar busca por votos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva investirá nos dias finais da campanha em agendas nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que concentram 40% do eleitorado. O foco da mobilização do partido se estende a mais três estados: Bahia, Pernambuco e Ceará. Na corrida final por votos antes do primeiro turno, a campanha petista busca alcançar os indecisos e recuperar aqueles que já votaram no PT.
O núcleo da coordenação da campanha considera que esses seis estados, especialmente nas capitais e regiões metropolitanas, são estratégicos para recuperar eleitores que se afastaram do partido. Essa é a estratégia adotada pelo PT diante da disputa acirrada com o principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL).
A mobilização será complementada por um movimento intitulado "48 horas com Lula", onde o PT convocou a militância para intensificar a busca por votos nas ruas e nas redes sociais nos dias 2 e 3 de outubro — sexta e sábado. A orientação consiste em buscar votos corpo a corpo, realizando visitas de porta em porta, carreatas, caminhadas, além de panfletagens, adesivações e bandeiraços em locais de grande circulação.
Além da mobilização da militância, Rio, Minas e São Paulo contarão com a presença de Lula nessa reta final. Na sexta-feira, o presidente fará um ato na Candelária, no Centro do Rio, pela manhã e à tarde na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. No sábado, encerrará com um ato próximo à região da Avenida Paulista, em São Paulo.
A tática eleitoral de Lula inclui a ampliação da rejeição a Flávio, especialmente entre as mulheres. A campanha do PT decidiu abordar no último programa de TV o caso da menina Ana Clara Machado, de cinco anos, que foi baleada por um fuzil na frente de casa em Niterói (RJ) por um policial militar em fevereiro de 2021. Flávio Bolsonaro foi um dos advogados do policial. "Você acha que quem defende assassino de criança vai te defender?" questiona a apresentadora, enquanto fotos da menina são expostas em um telão.
Lula pretende desgastar a imagem de Flávio entre os eleitores Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), para evitar que o movimento de voto útil na reta final migre para o senador. Para o PT, é crucial que esse grupo de eleitorado não considere o senador como uma segunda opção.
O petista também busca conquistar grupos específicos do eleitorado, como os idosos. Já foi anunciada uma medida pelo governo, na qual o voto nas eleições valerá como prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A campanha fará uma ofensiva para que os eleitores com mais de 70 anos, considerados mais simpáticos a Lula, saiam de casa para votar. No caso das mulheres, o PT tem como alvo as mães de classe média, que são beneficiárias do Bolsa Família e chefes de família. Neste último grupo, 47% das mulheres afirmam que votam em Lula, enquanto 27% preferem Flávio, segundo pesquisa do Datafolha.
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